O suplente da deputada estadual e candidata ao senado Janaina Riva (MDB) tem negócios com o irmão do ex-governador preso por corrupção Silval Barbosa, o empresário Antônio da Cunha Barbosa Filho. É o que revelam documentos obtidos pela reportagem do PNB Online.
O segundo suplente Rafael Yamada Torres foi escolhido em uma troca definida por Janaina que chamou a atenção pela escolha de empresários “figurões”, envolvidos em suspeitas de corrupção, no lugar de uma delegada que combatia a corrupção, como foi o caso de Ana Cristina Feldner, excluída da chapa pela deputada.
Registros da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram Rafael Yamada Torres atuou em conjunto com o irmão de Silval em garimpos de ouro no município de Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana. Entre 2016 e 2019 processos minerários de Antônio Barbosa e Rafael Yamada tiveram diversos andamentos.
No processo nº 866.598/2016, do qual Rafael Yamada Torres era o titular, foi aprovada a cessão parcial de direitos em favor de Antônio da Cunha Barbosa Filho (dando origem ao processo nº 866.949/2018). Do mesmo modo, do processo nº 866.599/2016 aprovou-se cessão parcial em favor de Antônio (processo nº 866.950/2018).
Nos processos minerários nº 866.950/2018 (de titularidade de Antônio) e nº 866.599/2016, consta a juntada de procuração outorgada a Rafael Yamada Torres (e substabelecida a Paulo Augusto Silva Cruz) para atuar como representante.
Atualmente, estes direitos minerários negociados entre os dois empresários pertence a empresa Heureka Mineração Ltda. A empresa tem como sócio-administrador Juarez de Oliveira e Silva Filho, sócio de Antônio da Cunha Barbosa Filho na empresa Rede Comunicação Tropial LTDA, de Colíder.
Filho de Wanderley da Trimec
Rafael Yamada Torres é filho de Wanderley Fachetti Torres, conhecido como “Wanderley da Trimec”, amigo e ex-sócio do ex-governador Mauro Mendes (União), também candidato ao Senado. Ele também é sócio de um suplente de Mauro Mendes, Elson Ramos de Figueiredo, um dos proprietários, junto com Rafael, da boate e casa de shows Musiva em Cuiabá. Os dois também são sócios do restaurante Baronês e na empresa Hella Investimentos e Participações.
O pai de Rafael, Wanderley Fachetti Torres, também teve negócios com o irmão de Silval. Os dois foram sócios na empresa Mercure Pantanal, extinta em 2012.
Investigações e operações policiais
Em investigações do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) durante a chamada Operação Bereré sobre um suposto esquema de propina e lavagem de dinheiro superior a R$ 30 milhões no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT), tanto Rafael Yamada Torres quanto Antônio da Cunha Barbosa Filho foram apontados como integrantes do “Núcleo de Operação” da organização criminosa.
Recentemente tanto Rafael quanto Antônio tornaram-se réus em processo na 51ª Zona Eleitoral de Cuiabá, que apura suposto esquema de “caixa 2”, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro relativo à campanha eleitoral de 2010. A ação inclui ainda o ex-governador Silval Barbosa e o pai de Rafael, o empreiteiro Wanderley Fachetti Torres.
A denúncia foi aceita pelo juiz Marcos Aurélio dos Reis Ferreira, da 51ª Zona Eleitoral de Cuiabá. O processo tramitava inicialmente na Justiça Comum, mas foi transferido para a Justiça Eleitoral devido aos indícios de crimes eleitorais






















