Na política, a tentação de negar o que parece óbvio e passar por cima da lógica é, às vezes, irresistível.
Parece óbvia a argumentação do pré-candidato ao Senado, o deputado federal Neri Geller (PP). Ele exercita a lógica pela pergunta: como é possível aliança entre o governador Mauro Mendes (União) e o Partido Liberal (PL), que tem o senador Wellington Fagundes como candidato à reeleição em Mato Grosso, se hoje o PL abriga bolsonaristas radicais que passaram os últimos quatro anos “rufando o bumbo no governador”?
Neri, segundo registrou o site Gazeta Digital, afirma que “não há clima” para que o Mauro feche uma aliança com o PL, justamente pelo fato de o partido abrigar críticos ferrenhos do seu governo, como o deputado estadual Delegado Claudinei e o deputado federal José Medeiros. De olho no apoio de Mauro Mendes, líder absoluto nas pesquisas até aqui, o presidente Bolsonaro deu ordem para a sua tropa de choque em Mato Grosso: aliviar a pancadaria no governador.
“Com todo o respeito, mas como é que fica o governador com o PL, que tem lá o Claudinei e o José Medeiros, que rufam o bumbo no governo e tem atrito toda hora? Como é que ele vai se dar nessa composição”, argumentou Neri Geller, comentando as articulações políticas que querem juntar Mauro, Wellington e Bolsonaro no mesmo palanque eleitoral.
De olho no apoio de Mauro Mendes, líder absoluto nas pesquisas até aqui, o presidente Bolsonaro deu ordem para a sua tropa de choque em Mato Grosso: aliviar a pancadaria no governador.
O deputado federal José Medeiros e o deputado estadual Delegado Claudinei passaram os últimos anos transformando Mauro Mendes num saco de pancadas. Como farão suas campanhas, serão dóceis e obedientes diante da ordem de Bolsonaro de calar a boca e não atacar mais Mendes? Vão se dedicar apenas aos ataques ao PT e a Lula nas eleições presidenciais? Essas questões emergem a partir do convite à lógica política argumentada por Neri.
Os questionamentos em torno da aliança do governador com o PL se intensificaram nos últimos meses, principalmente depois do presidente Jair Bolsonaro (PL) e o chefe do Executivo admitirem a intenção de caminharem juntos nas eleições de 2022.
Ao fim e ao cabo, o pré-candidato do PP ao Senado vende seu peixe, afirmando que a tendência é de que Mendes apoie o seu projeto na disputa, justamente por sua candidatura ser impulsionada por partidos aliados da base governista.
“A nossa tendência é caminhar com o governador Mauro Mendes porque a base de apoio do Mauro está aqui: PP, PSD e MDB. Isso é o natural. Nós estamos desde o primeiro dia juntos com ele. Isso logicamente vai depender dele e nós vamos discutir na hora certa”, afirmou Geller.
Logicamente esse argumento lógico poderá ser solenemente ignorado, se as articulações, como hoje estão sendo conduzidas de forma competente nos bastidores, sacramentarem a aliança de Mauro (União) e Wellington (PL). Favorito à reeleição, Mauro superará os ataques do bolsonarismo por fora, com a oposição de Antônio “Aprosoja” Galvan e Ulysses “Aprosoja” Moraes, e também os eventuais ataques do bolsonarismo por dentro da aliança, com Medeiros e Claudinei. Mauro mandará às favas a lógica eleitoral apresentada por Neri.
Wellington OU Neri ou Wellington E Neri (com ambos apoiando a sua reeleição) é só parte acessória da lógica eleitoral de Mauro Mendes. O centro da ideia é receber o apoio de Bolsonaro. O governador sonhou e conquistou esta aliança com o presidente Bolsonaro, também candidato à reeleição, esperando obter na prática os melhores resultados eleitorais. Um jogo de soma nos cálculos de engenheiro.






















