
A vereadora Maysa Leão (Republicanos) criticou o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, por interferir na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal e contribuir para ampliar a crise interna na base aliada. A declaração foi dada em entrevista nesta quinta-feira (07.05) ao Jornal da Cultura, na Rádio Cultura, aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.
Segundo Maysa, a atuação do prefeito ao declarar apoio público à atual presidente da Casa, Paula Calil, compromete a independência entre os poderes e produz efeito contrário ao esperado. “Toda vez que você tem um cabo eleitoral como Abílio, você está se enterrando. Ele enfraquece a candidata”, afirmou. Para a vereadora, ao indicar nomes e se posicionar na disputa interna, o chefe do Executivo transmite a mensagem de que tenta influenciar diretamente as decisões do Legislativo.
A parlamentar também colocou em dúvida a consistência da candidatura à reeleição de Paula Calil. De acordo com ela, não houve articulação interna visível nem pedido de apoio direto aos colegas. “Ela não fez essa defesa nem em entrevistas, nem para os pares. Quem está falando por ela é o prefeito, e isso acaba tomando um espaço que é legítimo dela”, disse.
Nos bastidores, Maysa afirma que o cenário atual é de divisão na base e falta de alinhamento. Parte dos vereadores, inclusive integrantes da atual Mesa Diretora, estaria apoiando Ilde Taques para a presidência, o que, segundo ela, foi intensificado após as manifestações públicas do prefeito. “A mesa hoje tem apoio a outro candidato, e isso vem muito desse posicionamento de interferência”, afirmou.
A vereadora avaliou ainda que a postura de Abílio pode ter como objetivo demonstrar controle político sobre o Legislativo. “Não sei se é para mostrar aos aliados que quem manda é ele, mas não faz sentido. A independência dos poderes é uma premissa constitucional”, disse.
Maysa também criticou o que classificou como excesso de protagonismo do Executivo sobre pautas da Câmara. Segundo ela, ações e avanços da atual legislatura têm sido ofuscados pela comunicação do prefeito. “Ele domina a narrativa. A Câmara precisa falar por si e mostrar o que foi feito, porque houve avanços em transparência e funcionamento”, afirmou.























