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Mendes culpa prefeitos por crescimento de mortes na pandemia e defende kit-covid

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Christiano Antonucci

Mauro Mendes

 

O governador Mauro Mendes (DEM) atribuiu aos prefeitos de Mato Grosso a responsabilidade pelo crescimento vertiginoso das mortes e infectados pela covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, no Estado. Em um mês, os óbitos saltaram de 67 para 665 e a taxa de ocupação nas UTIs está em 94,2%.

 

Em entrevista à Globo News nesta sexta-feira (03.07), Mendes afirmou que há também uma resistência da população em cumprir o distanciamento social e que os prefeitos foram precipitados ao fechar comércios no início da pandemia e agora enfrentam dificuldades econômicas graves e não querem isolar a população.

 

“Lamentável, mas registramos nos últimos 15 dias um número muito crescente de casos e mortes. Primeiro, isso se deve ao pequeno nível de distanciamento social que está acontecendo em Mato Grosso. Vimos nos últimos 30 dias um nível de atividade econômica muito normal, pouco distanciamento. Lá no início da pandemia, quando tivemos os primeiros casos, alguns prefeitos se precipitaram e decretaram paralisação do comércio e isso causou muito transtorno no momento que não precisava, porque tínhamos um ou dois casos e as UTIs estavam vazias. Agora, que precisamos ter um nível de distanciamento maior, existe uma resistência da população e até uma resistência de alguns prefeitos em adotar as medidas adequadas”, disse ele.

 

Mato Grosso registrou, nesta quinta-feira (2), 18.356 casos da doença e 706 mortes, sendo considerado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) como o novo epicentro da covid-19 no país, diante do aumento expressivo de casos, que aumentaram mais de 500% em 30 dias. O número de mortos em decorrência da doença aumentou 898% em um mês.

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Questionado se a situação não se dá por falta de articulação política, Mendes afirmou que tem feito decretos orientativos para cidades classificadas como “risco muito alto, alto, baixo e muito baixo”, no entanto, os prefeitos não têm adotado as medidas recomendadas.

 

“Eu, como governador, não posso ficar fazendo decretos para cada cidade. A realidade de contaminação é diferente para cada municípios, então o Governo faz uma classificação de risco e solta recomendação para cada prefeito. Quando é ‘muito alto’, o decreto orienta a tomar as medidas mais severas de restrição. Aqui em Cuiabá e Várzea Grande o que aconteceu foi que o Governo soltou o decreto dizendo as medidas a serem tomadas e os prefeito não tomaram essa decisão. Especificamente, na cidade de Cuiabá, o prefeito [Emanuel Pinheiro -MDB] não tomou essa decisão, porque lá atrás ele mandou fechar tudo e estressou o comércio, gerando todos os efeitos colaterais. É um remédio amargo mas necessário, e ele não queria tomar porque parou no momento errado e não queria parar no momento certo’, completou.

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Mendes disse que vem adotando o protocolo de tratamento precoce da doença ao oferecer medicamentos a pacientes que apresentam os primeiros sintomas da doença. Ele também afirmou que vem buscando aumentar o número de leitos de internação para atender a crescente demanda por hospitais.

 

Em Mato Grosso, a Assembleia Legislativa e diversas prefeituras têm utilizado um coquetel de fármacos, sem comprovação científica, para combater os sintomas. Trata-se do kit-covid, formado por Azitromicina/ Nevofloxacin ou Amoxicilina com Clavulanato, Ivermectina, Hidroxicloroquina, ou o Annita, Prednisolona e anticoagulantes.

 

“Estamos aumentando o número de UTIs. Essa semana tem 30 para inaugurar e, junto com as prefeituras, estamos trabalhando para abrir mais de uma centena de UTIs. Paralelamente a isso, estamos trabalhando muito na prevenção. Acreditamos que o tratamento precoce é um bom e um ótimo caminho para evitar que as pessoas cheguem muito grave nos hospitais”, avaliou.

 

Como exemplo de total descontrole da situação, foi citado dois casos extremos que ocorrem em Mato Grosso. Enquanto o município de Nova Lacerda, com 12 casos, sendo 4 infectados e uma morte por covid, decidiu decretar lockdown por cinco dias, de 8 a 12 de julho, a cidade de Rondonópolis reabriu feiras e indústrias, mesmo sendo a terceira com maior número de ocorrências da doença. A cidade tem 1.341 casos, sendo 690 infectados, 57 óbitos e 594 recuperados.

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