A luta intestina no governo Bolsonaro continua. O governo é formado por vários núcleos de poder que se digladiam: os militares; o ministro neoliberal Paulo Guedes; os radicais ideológicos e, pairando sobre todos os demais, o núcleo familiar, os três filhos que mandam: Flávio, Carlos e Eduardo. Os filhos formam com o pai Jair uma espécie de quarteto de presidentes da República.
O momento é de crise política: o cerco das investigações no STF e o escândalo da “Rachadinha” com o filho Flávio no foco. O presidente Bolsonaro precisou, para espanto dos seus seguidores radicais, mudar o tom e o papel: saiu de cena o presidente agressivo e debochado e deu lugar ao presidente pacífico e educado.
Aproveitando esse momento do radicalismo fragilizado, o núcleo militar e as lideranças do novo grupo apoiador do governo, o velho Centrão, pressionam o presidente a fazer uma faxina completa no ministério. Eles pedem a cabeça dos ministros radicais que resistem nos cargos.
Matéria do jornalista Jorge Vasconcelos no Correio Braziliense desta sexta-feira (03/07) relata a pressão pela faxina no governo Bolsonaro:
Bolsonaro é aconselhado a demitir ministros radicais, como Salles e Araújo
O chefe do Executivo tem ouvido de auxiliares e parlamentares que chegou a hora de fazer mudanças em setores de grande repercussão no exterior
Depois de baixar o tom na relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, o presidente Jair Bolsonaro agora está preocupado com os prejuízos do discurso radical do governo para política externa. No momento em que o país enfrenta o maior isolamento internacional de sua história, o chefe do Executivo tem ouvido de auxiliares e parlamentares que chegou a hora de fazer mudanças em setores de grande repercussão no exterior, como a diplomacia e o meio ambiente.
Os ministros da Casa Civil, Braga Netto, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, são os principais conselheiros de Bolsonaro nessa discussão, após articularem uma trégua entre o Executivo e os demais Poderes. Na avaliação desses generais, o recuo nos ataques ao STF era urgente, ante o avanço de investigações incômodas para o Planalto, como o inquérito que apura se o presidente tentou interferir politicamente na Polícia Federal.
Na mira dos dois representantes da ala militar do governo, agora, estão os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Ambos também são os mais citados, no meio político, em conversas sobre uma possível reforma ministerial.





















