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DIÁLOGO E CONCILIAÇÃO

Extinção do Parque Serra Ricardo Franco volta ao debate na Assembleia e MP faz alerta

O debate foi retomado nesta semana após um requerimento do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), lido em plenário durante a sessão da quarta-feira (04.10).

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O projeto de decreto legislativo que extingue o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, localizado na Vila Bela da Santíssima Trindade, voltou a ser alvo de debate na Assembleia Legislativa (ALMT) e pode ser inserido na pauta de votações a qualquer momento. Com isso, o Ministério Público (MPMT) voltou a se manifestar sobre o caso alertando para a necessidade de diálogo sobre o tema.

O debate foi retomado nesta semana após um requerimento do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), lido em plenário durante a sessão da quarta-feira (04.10), solicitando que o Decreto voltasse a tramitar em regime de urgência. A matéria recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) em janeiro de 2022 e está apto para apreciação desde maio do mesmo ano, quando chegou a ser colocado em pauta, mas foi retirado após acordo da Assembleia com o Ministério Público.

Após a manobra do deputado bolsonarista, nesta semana, o Ministério Público emitiu comunicado ressaltando a importância dos espaços territoriais com características relevantes para fins de uso sustentável, restauração e recuperação do ambiente natural.

“Por estar localizada em região de ecótono, entre o Cerrado brasileiro e a Floresta Amazônica, bem próximo à fronteira com a Bolívia, a Unidade de Conservação abriga flora e fauna típicas de ambos os biomas, inclusive espécies em risco de extinção, muitas das quais só ocorrem naquele lugar em razão da peculiaridade do encontro do Cerrado e da Floresta”, alertou o MP.

No ano passado, o projeto foi retirado de pauta justamente após um encontro entre deputados estaduais e o Ministério Público. Na época, a deputada Janaína Riva chegou a afirmar que o enfrentamento com o MP não seria positivo. E o líder de governo na Assembleia Legislativa, deputado Dilmar Dal Bosco (União), destacou que a retirada de pauta visa construir uma nova proposta para modificar o perímetro do parque, retirando as áreas onde tem fazendas, e ampliando outras áreas.

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extinção Ricardo Franco

 

Confira a íntegra da manifestação do Ministério Público:

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso se mantém alerta com relação às discussões e eventuais deliberações da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso com relação ao Decreto Legislativo que pretende sustar os efeitos do Decreto de n.º 1.796, de 04 de novembro de 1997, que criou a Unidade de Conservação Serra de Ricardo Franco, um uma área de 158.620 hectares, localizada no Município de Vila Bela da Santíssima Trindade.

A instituição ressalta a importância dos espaços territoriais com características relevantes para fins de uso sustentável, restauração e recuperação do ambiente natural, para que, na forma prevista na Lei n. 9.985/200, sejam atingidos objetivos de conservação e proteção, com o que cumpre a diretriz prevista no art. 225 da Constituição Federal.

Por estar localizada em região de ecótono, entre o Cerrado brasileiro e a Floresta Amazônica, bem próximo à fronteira com a Bolívia, a Unidade de Conservação abriga flora e fauna típicas de ambos os biomas, inclusive espécies em risco de extinção, muitas das quais só ocorrem naquele lugar em razão da peculiaridade do encontro do Cerrado e da Floresta.

Em paralelo à indispensável preservação ambiental é preciso promover a regularização fundiária no local, sendo que o Ministério Público e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente vêm encetando tratativas com a associação de proprietários para que isto ocorra e que possam ser minimizados os usos conflitantes.

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É preciso, pois que se avance na busca de outras alternativas que não seja a simples extinção da Unidade de Conservação, inclusive com análises ambientais, fundiárias e de dinâmicas de desmatamentos para eventual diminuição da área nos locais de usos consolidados, realçando-se que se aprovado um ato legislativo que simplesmente venha a extinguir a Unidade de Conservação é intuitivo que o Ministério Público questionará perante o Poder Judiciário a referida norma.

Por outro lado, considerando-se que a Unidade de Conservação apresenta ao menos em uma fração parcial menor áreas consolidadas e produtivas, deve o parlamento estadual buscar um equilíbrio que preserve o direito ao uso da propriedade privada nos locais em que as atividades ocorrem há anos, com a preservação ambiental. Ademais, a simples manutenção da Unidade tal qual instituída, ensejaria aos proprietários o direito a indenizações milionárias a serem pagas com recursos do contribuinte mato-grossense.

De toda forma, confiante no elevado bom senso político, econômico e ambiental de nossa Casa de Leis, o Ministério Público se mantém à disposição para construção conjunta de uma agenda ambiental propositiva, bem como acompanha e aguarda a discussão do referido projeto, sendo que, caso aprovado, serão analisados seus termos para definição de medidas ou estratégias na defesa do meio ambiente.

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