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SUCESSÃO DE EMANUEL

A disputa pelos corações e mentes dos cuiabanos: o lugar da política

A eleição municipal será um verdadeiro laboratório de experiências do marketing digital para alguns marqueteiros usando seus candidatos-cobaias. Da Inteligência artificial aos algoritmos das redes sociais, será um vale tudo instrumental para vender crenças fajutas em formas rasas.

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O professor João Carlos Correia, da Universidade da Beira Interior (UBI/Portugal), faz uma interessante análise crítica do rebaixamento das condições da democracia no contexto atual da sociedade midiatizada: vivemos em um espaço público colonizado por feudos, em completa fragmentação e com câmaras de eco do pensamento raso. O resultado é o empobrecimento da experiência partilhada e da razão comunicativa pública, uma disfunção da democracia.

Neste cenário, o momento da eleição é o acontecimento onde as condições de precariedade da comunicação livre emergem com mais clareza. A ideia rasa, a crença cristalizada e o modo de comunicar ditado pelas plataformas são os elementos visíveis que fazem parecer como inevitáveis.

Entre a razão e a emoção, conforme aponta o professor Gaudêncio Torquato, da USP, a civilização digital imprime novas formas de ação. “Os antenados querem fazer seu marketing ou responder aos adversários. O processo político se acirra. O ciclo do marketing tecnológico emerge na paisagem, dando adeus ao vovô da propaganda política”, diz Torquato.

A emoção e a crítica dos valores, entretanto, não podem ser descartadas na construção de uma racionalidade, a não ser pelo erro de uma visada redutora e torta: a comunicação vista apenas pelo seu caráter instrumental. As experiências no laboratório do marketing digital podem apresentar fórmulas prontas para o fracasso, no caso da disjunção entre forma e conteúdo. Vale lembrar, afinal, a frase seminal do filósofo John Dewey: a comunicação é tão instrumental quanto final.

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A eleitora cuiabana e o eleitor cuiabano não vão votar no melhor político-dançarino das redes sociais; não vão votar no mais debochado; no mais engraçado; no mais agressivo disfarçado de indignado, no mais produzido para parecer “gente como a gente”. Sem o respeito aos fatos reais; sem as devidas conexões e sem a clareza de propósitos, os fins em vista, o candidato criado em laboratório corre o risco de virar uma farsa. A política, independente das formas, ainda é o conteúdo a ser examinado pelas pessoas, em especial numa cidade com tradição de crítica e diversidade como Cuiabá.

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