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OPERAÇÃO DA PF

Antero x Mauro: um quer a verdade, o outro ataca adversários

Operação da Polícia Federal investiga o escândalo da Oi, a denúncia de desvio de dinheiro público no governo Mauro Mendes. Dois vídeos viralizaram na internet, um que cobra a verdade dos fatos, o outro onde a explicação sobre a chave da investigação é sonegada. Do Buraco da Memória: a primeira vez que veio à tona esse escândalo, o ex-governador apressou-se em dizer que o destino do dinheiro público de um negócio de estado, indo parar em fundos privados de familiares e aliados, não era assunto de interesse público. É uma explicação torta: depois que o estado paga, não interessa no bolso de quem o dinheiro público vai parar? A Polícia Federal e a Justiça não concordam com esse argumento vazio e estão investigando o ex-governador.

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Dois vídeos viralizaram nesta quinta-feira (06): um do jornalista Antero Paes de Barros, candidato a deputado federal, e o outro do ex-governador Mauro Mendes, candidato a senador. O fato que conecta os dois: a operação da Polícia Federal contra Mauro Mendes referente ao chamado escândalo da OI, a investigação do desvio de 308 milhões de reais de dinheiro público que teriam abastecido fundos ligados à família de Mendes e de aliados. 

No seu vídeo, Antero Paes de Barros destaca que a operação da PF colocou o ex-governador Mauro Mendes e o deputado federal Fábio Garcia no noticiário policial nacional e relembrou que o PNB Online foi o primeiro veículo a publicar uma reportagem, assinada pelo repórter investigativo Lázaro Thor, sobre a movimentação do dinheiro por fundos privados. 

A chave da operação da PF é investigar o caminho do dinheiro público. Esse é o foco dos investigadores. Segundo o site ICL Notícias, portal de jornalismo independente, em 22 de fevereiro de 2024, quarenta e oito dias antes da assinatura do acordo, foram criados os fundos Royal Capital FIDC e Lotte Word FIDC.

Depois que o acordo foi celebrado, exatamente esses dois fundos passaram a receber os R$ 308,1 milhões pagos pelo Estado, divididos praticamente em partes iguais. Para a Polícia Federal, a criação antecipada das estruturas indica que seus organizadores já conheciam o resultado das negociações conduzidas pelo governo.

Na decisão, o ministro do STF Flávio Dino afirma que há indícios de que os fundos foram estruturados previamente para receber os recursos públicos e distribuí-los por sucessivas camadas financeiras, dificultando a identificação dos beneficiários finais e ocultando a origem do dinheiro.

A investigação descreve uma rede composta por mais de quinze fundos de investimento, dez deles criados justamente durante o período em que o acordo era negociado.

Segundo a PF, muitos desses veículos sequer apresentavam atividade típica de mercado, funcionando apenas como instrumentos para pulverizar os recursos antes de sua chegada aos investimentos finais.

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Banco Master administrava os principais fundos

É nesse ponto que aparece o Banco Master.

A decisão mostra que a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários administrava originalmente cinco dos fundos apontados como centrais na investigação: Royal Capital, Lotte Word, Zurich, London e Coliseu.

Embora a decisão não atribua responsabilidade criminal ao banco nem afirme que seus dirigentes tenham participado do suposto esquema, Dino determinou que os administradores entreguem à Polícia Federal toda a documentação relacionada às estruturas financeiras.

Entre os documentos requisitados estão regulamentos, atas, extratos bancários, contratos, registros de operações, documentos de compliance, identificação dos cotistas, beneficiários finais, movimentação das cotas e relatórios de auditoria.

Os investigadores querem reconstruir todo o caminho percorrido pelos R$ 308 milhões para descobrir quem efetivamente controlava as operações e quais pessoas ou empresas foram beneficiadas pelos investimentos realizados com os recursos públicos.

A decisão também alcança a REAG, que posteriormente passou a administrar o Venture Finance, outro fundo apontado como elo entre as estruturas ligadas às famílias Mendes e Garcia.

O caminho do dinheiro

Segundo a investigação, metade dos recursos foi destinada ao Royal Capital.

Desse fundo, o dinheiro passou pelo Zurich e pelo London antes de chegar à compra de participações da empresa Parecis Bioenergia. As cotas negociadas pertenciam ao fundo 5M Capital, controlado pelo GS Heritage, que tinha entre seus cotistas três filhos de Mauro Mendes.

Na avaliação da Polícia Federal, a operação permitiu que recursos públicos fossem convertidos em patrimônio privado sob a aparência de investimentos societários regulares. A outra metade do dinheiro percorreu uma estrutura semelhante.

Os recursos destinados ao Lotte Word passaram pelos fundos Golden Bird, Geonix, Coliseu e Venture Finance antes de serem utilizados em investimentos ligados à Hotéis Global, empresa relacionada a familiares do deputado federal Fábio Garcia. A decisão ressalta, contudo, que essas conclusões ainda fazem parte da fase investigatória e não representam responsabilização definitiva dos envolvidos.

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Mauro acusa Janaina e Pedro Taques de fazer “sacanagem” contra ele

No vídeo divulgado nas suas redes sociais, o ex-governador Mauro Mendes usa o recurso retórico de atacar os adversários sem entrar no mérito do fato. Ele acusa a deputada Janaina Riva e o ex-governador Pedro Taques de estarem fazendo “sacanagem” contra ele; são “invejosos” e fazem parte do que ele chama de “velha política”.  

Mauro reserva uma parte do seu longo vídeo para reduzir a operação da PF a uma armação eleitoreira. Lembra que ele foi alvo em maio de 2014 de uma operação da PF, a Ararath, quando era prefeito de Cuiabá, em uma investigação sobre um empréstimo específico, onde aparecia como sócio em garimpos com o ex-governador Silval Barbosa. E que ele diz que “não deu em nada”. Insinua, portanto, que agora novamente a PF, com a cumplicidade do ministro Flávio Dino, lidera um novo esquema de investigação bandida contra ele, visando apenas prejudicá-lo nesta eleição. 

O resumo da ópera do desespero. No longo vídeo Mauro Mendes posa de vítima, apela para a dor da família, ataca os adversários e acusa a PF e o STF de fazer uma operação de acordo com o calendário eleitoral visando apenas a prejudicá-lo politicamente. 

Neste embate entre a cobrança da verdade dos fatos feito por Antero Paes de Barros, a fala dispersa de Mauro Mendes sonega a explicação principal do fato: como o dinheiro público pago no escândalo da Oi foi parar em fundos privados ligados a familiares e de aliados? Essa é a pergunta que move a investigação da PF, autorizada pelo STF. Essa é a pergunta que não quer calar. Essa é a explicação que falta para Mauro Mendes dar à sociedade de Mato Grosso.

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