Blairo Maggi venceu a primeira vez a eleição de governador, em 2002, por diversas contingências do contexto político daquela época, mas certamente o racha do grupo liderado pelo então governador Dante de Oliveira foi um dos componentes decisivos. O ex-governador, ex-senador e ex-ministro da Agricultura fala, portanto, com autoridade sobre a importância da unidade de um grupo político, e do lugar mais confortável: o lado de quem ganhou a eleição contra um grupo rachado.
A notícia de Blairo “lançando” o nome do vice-governador Otaviano Pivetta ao governo de Mato Grosso, na sucessão de Mauro Mendes, mobilizou o noticiário político durante o carnaval. Primeiro por ser a palavra de Blairo, que tem peso e espaço na mídia, segundo pela observação feita sobre o respeito à lealdade e à “hierarquia da vez” dentro de um grupo político. Blairo não lançou propriamente o nome de Otaviano, fez apenas uma observação, mas que tem o mesmo peso de um “lançamento”.
“É a vez de Otaviano Pivetta. Ele tem história, já demonstrou ser leal, foi vice-governador duas vezes. Hoje ele é o primeiro da fila”, disse Blairo Maggi em conversa com o jornal A Gazeta.
Blairo marcou posição, comunicando sua opinião pessoalmente para o governador Mauro Mendes.
“Eu conversei com o Pivetta, ele me pediu apoio e eu dei. Na política de grupo se tem fila e hierarquia. Então temos que respeitar essa fila e hierarquia. Hoje o Otaviano é o nome que está preparado. E ele está esperando isso há muito tempo”, argumentou Maggi.
Para alguns “mauristas”, Blairo marcou a posição de que irá apoiar a candidatura governista em 2026, descartando o apoio a uma eventual candidatura oposicionista ao governo do atual ministro da Agricultura de Lula, o senador Carlos Fávaro. O próprio Blairo, em conversa com o PNB Online, explica que até agora o projeto de Fávaro é a reeleição ao Senado, ou seja, ele não bateria de frente contra Otaviano.
Vale o registro sobre a forma habilidosa com que o vice-governador Otaviano Pivetta tem conduzido o seu projeto de uma candidatura a governador. Primeiro, com o gesto de humildade de buscar e pedir apoios à sua pretensão, um exemplo disso é o próprio pedido feito a Blairo Maggi, reconhecendo a sua influência ainda na política e também no segmento do Agro. O segundo ponto é que Otaviano tem demonstrado coragem para fazer a autocrítica da atual gestão estadual, reconhecendo erros pontuais, como a questão da segurança pública, além de trabalhar o seu discurso político baseado na ideia de “fazimento”, na ação. Ou seja, apresenta-se candidato a governador com personalidade própria, bem longe de fazer o papel de Mauro II.
Em tempo: o grupo “maurista”, segundo A Gazeta, tem três possibilidades na disputa pela indicação de candidato a governador na sucessão de Mauro Mendes. Além de Otaviano Pivetta, ainda existe o interesse dos senadores Jayme Campos (União) e Wellington Fagundes (PL). No caso de Fagundes ao governo, o interesse se deve ao fato de que o braço direito do governador, Mauro Carvalho (União), assumiria o mandato de Senador.
Já Jayme Campos, lançado como candidato a governador, pode ser a solução para garantir mais uma vaga ao Senado para os “mauristas”, já que a tendência é que uma das vagas fique com o governador Mauro Mendes.
É, de toda forma, muita espuma no mar governista em contraste com o marasmo da oposição em Mato Grosso, sem rumo desde a derrota em 2022.





















