
Na última terça-feira (24.09), em Bruxelas (Bélgica), um painel internacional se reuniu para alertar sobre a necessidade de investimentos e cooperação global para proteger o Pantanal. O evento, que antecede a COP30 em Belém, foi organizado no Parlamento Europeu, pela eurodeputada Annalise Corrrado, com o apoio da Wetlands Internacional Europe, da Environmental Justice Foundation (EJF), do Instituto SOS Pantanal e da Chalana Esperança.
O evento destacou que Pantanal é o maior ecossistema úmido tropical do mundo e armazena cerca de 30% do carbono presente no solo terrestre, mas que a conservação desse bioma tem recebido pouca atenção global, em contraste com a Floresta Amazônica. “Proteger a Amazônia não pode nos custar o Pantanal”, advertiu a defensora da Biodiversidade e do clima da Environmental Justice Foundation (Fundação para a Justiça Ambiental, Luciana Leite, durante o painel.
A discussão ocorreu na mesma semana em que o cacique Raoni, uma das vozes mais influentes na defesa da Amazônia e dos direitos indígenas, fez um apelo na Semana do Clima, em Nova York. Ele pediu esforços globais pela preservação dos biomas brasileiros, diante do avanço da seca e da queimada no Brasil. Na ocasião, foi lançado um relatório pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), que mostra que Terras Indígenas (TI) de Mato Grosso e dos demais estados da Amazônia Legal estão sofrendo com dificuldade de acesso à água.
Durante o evento em Bruxelas, a deputada Annalisa Corrado defendeu a necessidade de justiça climática e a mobilização de investimentos que possam resultar em medidas tangíveis de conservação e restauração das áreas úmidas. “A biodiversidade é a chave para a nossa existência neste planeta e para a nossa saúde”, afirmou Corrado.
O apelo por cooperação também foi destacado pelo embaixador brasileiro junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, que ressaltou os desafios climáticos enfrentados pelo Brasil. Ele lembrou que “58% do nosso país está sendo afetado pela seca”, enquanto o Pantanal, em 2024, já registrou 119 incêndios florestais. “O desafio de combater os incêndios continua sendo enorme”, disse.
A diretora-geral do Departamento de Ambiente da Comissão Europeia, Florika Fink-Hooijer, fez um alerta. “Coloquem a natureza no centro das atenções. Não estamos fazendo o suficiente, e isso é um grande problema para nós. O Pantanal brasileiro é uma prova de que se não cuidarmos da interdependência entre biodiversidade e mudanças climáticas, enfrentaremos um desastre”.
























