O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), foi corrigido durante audiência pública para debater privatização de escolas municipais nesta terça-feira (09) na Câmara de Cuiabá. Um dos participantes da discussão, o cientista social Antônio da Paz Rosa Filho, mais velho que o prefeito, subiu à tribuna para corrigir Brunini.
Durante sua fala, Abilio comparou os gastos por aluno da rede pública com os gastos da Escola Adventista, dando a entender que o município gasta muito com Educação.
“Escola Adventista, que é uma escola de alta qualidade, com indicadores excelentes, custa em torno de R$ 1.300 por mês, com ensino de ótima qualidade. No município de Cuiabá o custo é de R$ 1.600 por criança por mês. Como se já não bastasse o custo ser elevado, o custo alto, nós tivemos diversos escândalos de corrupção”, afirmou o prefeito.
Após a fala, o cientista social subiu à tribuna e questionou Abilio sobre o dado que, segundo ele, não representa alto investimento na educação. O valor citado pelo prefeito indica, na verdade, que o município – e o Brasil como um todo – investe pouco em educação em comparação com países membros da OCDE.
O episódio lembrou o momento em que o prefeito de Cuiabá zombou de alunos de uma escola pública estadual de Cuiabá depois que um grupo de estudantes tirou foto ao seu lado fazendo o sinal de “L” em clara provocação política. Como resposta, o prefeito perguntou quanto é 4 vezes 4 e corrigiu aqueles que não souberam responder: “Não sabe porque fez o L”.
A audiência pública desta terça-feira foi marcada pelo recuo de Abilio em relação à privatização das escolas públicas. Após ser alvo de críticas por tentar reduzir o valor do terço de férias dos professores, o prefeito citou sindicatos que protestaram contra a medida e citou “má gestão” para declarar que abriria credenciamento para escolas particulares prestarem serviços na capital. No entanto, no novo encontro, Brunini disse que apenas privatizaria a área de “manutenção predial” das escolas.
Abilio também errou ao dividir os números da educação para comparar os gastos da rede pública com o custo da mensalidade de escolas particulares. Na divisão sugerida pelo prefeito, o valor do custo por aluno é diferente do que ele havia afirmado.
“Faça a seguinte conta: um bilhão de reais aplicado na educação do município com 62 mil alunos, é só você pegar um bilhão, dividir por R$ 62 mil e dividir por número de meses no ano”, afirmou o prefeito.
A divisão sugerida pelo prefeito, no entanto, resulta em um custo de R$ 1.344,08 de gasto por aluno na rede municipal e não em R$ 1600 como havia afirmado na mesma audiência pública.




















