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Banhistas fogem do calor e cresce número de afogamentos em rios de MT

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Reprodução

aglomeração de banhistas.jpg

Aglomeração de banhistas na região do Coxipó do Ouro, em Cuiabá. Registro realizado em agosto deste ano.

O forte calor causado pelas temperaturas máximas acima dos 40 graus tem levado cada vez mais a população mato-grossense para a beira de rios e cachoeiras em busca de algum refresco. Entre as consequências negativas está a aglomeração de pessoas em um período recomendado para o isolamento social em decorrência da pandemia da covid-19. Além disso, a exploração de rios considerados perigosos, que não são recomendados para a circulação de banhistas, vem causando ocorrências de afogamento, que em muitos casos são fatais.

 

De janeiro a agosto deste ano, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso contabilizou o total de 57 ocorrências de afogamentos em rios e cachoeiras do Estado. Os números, que o PNB Online teve acesso, são praticamente iguais ao do mesmo período do ano passado, quando 58 ocorrências foram registradas.

 

O alerta deste ano está para os casos registrados mais recentemente. Apenas no último trimestre (junho, julho e agosto), 26 casos de afogamentos foram contabilizados, um número 75% maior que nesses meses de 2019, com 18 registros. Somente em agosto de 2020 foram contabilizados 10 casos de afogamentos. É o dobro do mês de agosto do ano passado, com 5 registros.

 

PNB Online

grafico numero de afogamentos.jpg

 

Ainda sobre as ocorrências registradas, o mês de setembro de 2019 registrou o maior número de casos no ano passado com 23 ocorrências de afogamentos em Mato Grosso. Devido a esse histórico negativo, o Corpo de Bombeiros lança neste fim de semana a operação Prevenção Aquática 2020, que irá atuar nas regiões mais perigosas, orientado e dispersando banhistas que estiverem em locais inapropriados. 

 

“Não conseguimos prever o número de afogamentos, mas o mês de setembro é um período muito quente e que no ano passado teve o maior número de afogamentos. Por isso, a operação irá passar medidas preventivas para reduzir o número de afogamentos em todo o Estado. Por incrível que pareça, os locais que mais ocorrem afogamentos são os locais inapropriados para banho”, explicou o 1º Tenente Wagner Augusto da Silva para a reportagem do PNB Online.

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Entre os locais mais perigosos está a Passagem da Conceição, área do rio Cuiabá, na região metropolitana, onde ocorreram diversos afogamentos neste ano. No último domingo (30.08), duas pessoas desapareceram após se afogarem no local. Originalmente, a ocorrência foi divulgada como apenas um homem afogado, mas no segundo dia de buscas, os bombeiros descobriram que um idoso também havia se afogado e desaparecido nas águas. Os corpos das vítimas foram encontrados nesta quarta-feira (02). 

 

Mesmo com placas que informam sobre o perigo do rio, os banhistas se aglomeram na região em todos os fins de semana de calor na capital. A forte correnteza e a cor escura do Rio Cuiabá na água é um facilitador para as ocorrências desse tipo, sendo um perigo até mesmo para os mergulhadores que fazem os resgate das vítimas, que precisam parar os trabalhos sempre que se encerra a luz natural, como explica o soldado Rafael do Carmo Lisboa, do Grupo de Mergulho Autônomo dos Bombeiros.

“O afogamento é silencioso. Quanto maior o público de banhistas, ninguém vai conseguir ver que uma pessoa está se afogando. É difícil (se manter em casa) nesse calor, mas é recomendado para as pessoas não irem muito nesses locais para não se arriscarem e nem arriscarem a vida dos familiares”.

  

“O rio Cuiabá, por exemplo, não tem visibilidade à noite. Os mergulhadores se comunicam por um cabo e por segurança não se mergulha à noite, por conta do visual. Os trabalhos começam imediatamente por volta de 6h da manhã e são contínuos durante sete dias. A partir disso a vítima é dada como desaparecida”, explicou o soldado.

 

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Além disso, uma grande quantidade de pessoas na água dificulta a observação individual, fazendo com que uma vítima de afogamento possa não ser notada em meio à multidão na água, como explica o tenente Wagner. “O afogamento é silencioso. Quanto maior o público de banhistas, ninguém vai conseguir ver que uma pessoa está se afogando. É difícil (se manter em casa) nesse calor, mas é recomendado para as pessoas não irem muito nesses locais para não se arriscarem e nem arriscarem a vida dos familiares”, alertou o bombeiro.

 

A pedido da reportagem do PNB Online, os bombeiros listaram uma série de medidas preventivas para os banhistas. A principal delas é manter a água na altura do joelho, dica válida para crianças e adultos. Leia abaixo outras recomendações:

 

CBM MT

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Mergulhadores do Corpo de Bombeiros se preparando para atender mais uma ocorrência de afogamento.

 

– Crianças devem manter distância de um braço de adultos, mesmo que saibam nadar;

– Qualquer pessoa que entrar no rio deve ficar com a água na altura do joelho;

– Em embarcação é necessária a utilização de colete salva vidas;

– Ter noção básica de natação e primeiros socorros.

 

No caso da observação de um afogamento, a primeira medida é ligar para o Corpo de Bombeiros pelo número 193 ou solicitar outra autoridade policial, caso o município não tenha uma equipe do CBM. Outras dicas para essa situação são:

 

– Observar a vítima em local seguro;

– Manter a segurança da vítima fornecendo algum objeto para ela se agarrar, como cordas ou galhos. 

– Disponibilizar objetos que ajudem a vítima a flutuar na água, garrafas pet fechadas ou isopor podem ajudar;

 – Entrar na água apenas em último caso e dentro da água não agarrar a vítima frontalmente, pois o desespero da vítima afogada pode ocasionar o afogamento da pessoa que está ajudando. 

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