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SAÚDE PÚBLICA DE CUIABÁ

Candidatos a prefeito e o ácido social que corrói o humanismo

Tratar apenas como caso de polícia os dependentes químicos que ocupam o centro de Cuiabá é tanto uma demonstração de falta de humanidade quanto de incompetência do candidato a prefeito. O dependente químico nas ruas não é um lixo social para ser cuidado pela empresa que faz a varrição de Cuiabá.

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As primeiras declarações de alguns dos pré-candidatos a prefeito de Cuiabá acenderam uma luz amarela de alerta sobre o nível, ou a falta de nível, do debate sobre os problemas da cidade. Soluções simplistas e o preconceito contra os pobres e desvalidos são as marcas que emergem neste momento de pré-campanha, assustando pelo grau de desumanidade dos conteúdos dos discursos compartilhados nas redes sociais.  

O caso é: a ocupação do Centro Histórico de Cuiabá pelos dependentes químicos que vivem nas ruas, a chamada Cracolândia. É uma situação problemática complexa que exige uma ação inteligente, em cooperação do município, estado e governo federal. Em óbvio, não será resolvido com soluções simplistas e nem cabe transformar estas pessoas em situação de vulnerabilidade como lixo a ser varrido da cidade. 

– Definitivamente o problema da Cracolândia em Cuiabá é um caso de polícia;

– Definitivamente é um caso grave de saúde pública;

– Definitivamente é um caso grave de problema social. 

CASO DE POLÍCIA

É preciso usar a inteligência policial. Segundo a própria Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP), parte da droga consumida em Cuiabá vem da Bolívia. Ou seja, o crack, a droga consumida pelo dependente químico que vive nas ruas, é levada até ele pelos traficantes, e a polícia sabe até de onde vem. Exige que a operação policial desbarate o esquema de entrega das drogas nas ruas. Fácil não é, mas sem o uso da inteligência policial ficará sem solução. A ponta criminosa do problema não pode ficar solta.

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CASO DE SAÚDE PÚBLICA

Em matéria dos jornalistas Sofia Pontes e Sérgio Borges, para o G1MT, em setembro de 2023, o mapa da droga em Cuiabá localizou cinco pontos de ‘Cracolândia’ e apenas uma clínica pública para tratamento de dependentes químicos. Outro problema é a falta de mobilidade da ação de saúde. O auxílio da saúde precisa ir até o dependente. Em Cuiabá existem três Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS), considerados como os serviços de referência no SUS. Nessas unidades são atendidas as pessoas que sofrem com transtornos mentais, uso de álcool e drogas, que necessitam de cuidados intensivos. É uma ilusão que o dependente químico vai sair da rua e procurar sozinho e voluntariamente um CAPS para receber o devido tratamento. Por que não pensar em um “CAPS Móvel”, com a busca de paciente mais rotineira e atuante? A atuação social das igrejas também precisa ser ampliada, com a inclusão de mais Clínicas Terapêuticas para Dependentes Químicos. Segundo a reportagem do G1, em Cuiabá existiria hoje apenas uma clínica terapêutica em funcionamento. 

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CASO DE PROBLEMA SOCIAL

Tirar os dependentes químicos que vivem nas ruas pela força bruta, tratá-los como lixo social, é uma demonstração pública de incapacidade intelectual diante da complexidade do problema. Quais são as políticas públicas sociais que precisam ser colocadas em ação para amparar e dar oportunidades de vida para estas pessoas, para recuperar o convívio familiar, para ouvi-las? O problema social também exige planejamento e entrega de resultados.  O novo prefeito de Cuiabá precisa dar um exemplo de humanidade e de preocupação com todas as pessoas, inclusive aquelas que sofrem pelo desprezo da invisibilidade social.

cracolândia em Cuiabá
Reprodução TVCA
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