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FERROVIA EM MT

Com Rumo à venda, cenário é incerto para ferrovia em Mato Grosso

Quando as primeiras notícias de venda da Rumo começaram a surgir, o grupo empresarial informou que não venderia todas as ações.

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A possibilidade de negociação de ações da Rumo S.A. pela Cosan, sua controladora, tem feito com que o sinal amarelo seja ligado em Mato Grosso por conta do impacto das negociações no futuro da Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo, que ligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e será a primeira ferrovia estadual do Brasil.

Enquanto a Cosan negocia ações da Rumo, com o banco BTG Pactual atuando como intermediário, empresários mato-grossenses ficaram de olho em diversas outras operações do grupo. É o caso da Radar Propriedades, braço imobiliário da Cosan, que chegou a vender 12% de suas terras com Eraí Maggi, dono da Bom Futuro.

A SLC, que também arrendava as áreas, acabou atravessando o negócio e comprando as terras da Radar, conforme anúncio publicado em seu site. A transação foi fechada por R$ 1,85 bilhão.

Em razão da Bom Futuro operar no ramo da logística, e a Amaggi, do ex-governador Blairo Maggi, operar terminais hidroviários, restou no mercado mato-grossense a pergunta: estaria a família Maggi interessada em negociar ações da Rumo?

Com as notícias de que o Grupo Ultra, que controla a Ipiranga, saiu das negociações pela compra da Rumo e que restam ainda 8 interessados no negócio, todos querem saber quem será o novo controlador da companhia ferroviária e como isso impactará na construção da nova ferrovia.

A história da venda da Rumo começou quando a Raízen, do mesmo grupo econômico e que opera no setor de cana-de-açúcar, entrou em recuperação extrajudicial com um saldo de R$ 65 bilhões em dívidas. Após a controladora conseguir o apoio de 80% dos credores no plano de recuperação, ficou decidido que fosse realizada uma política de desinvestimento.

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Quando as primeiras notícias de venda da Rumo começaram a pipocar no noticiário nacional, o grupo empresarial tratou de publicar outro fato relevante, informando que não venderia todas as ações.

“A Cosan informou não haver, no momento, qualquer engajamento para a venda da totalidade de sua participação na Rumo, tampouco negociação em curso com qualquer potencial interessado em específico”, diz documento publicado pela Rumo.

O interesse da Amaggi em ferrovias não é nenhuma novidade. A empresa multinacional é uma das principais envolvidas no processo de construção da Ferrogrão, que deve ligar Sinop ao porto fluvial de Miritituba.

Em meados de 2014, quando a ALL firmou acordo com a Rumo para transportar cana da Cosan, a Rumo acusou a companhia estrangeira de não entregar toda a capacidade da malha, que ligava o interior de São Paulo ao Porto de Santos.

Rubens Ometto, na época, tentou comprar a ALL, mas o negócio falhou. Naquele momento, Amaggi, Bunge e Cargill tentaram realizar um consórcio parar adquirir a companhia. A JBS também entrou na disputa. Por fim, a solução encontrada foi outra: a fusão entre Rumo e a ALL por meio de uma troca de ações. A operação manteve a Cosan como a maior acionista da companhia – hoje, o grupo de Ometto detém 20,3% das ações.

Com a fusão, a Rumo herdou a operação das malhas Norte, Sul, Oeste e Paulista: ao todo, 12 mil quilômetros de trilhos – o maior conjunto de concessões ferroviárias do país. Quem comprar a Rumo será praticamente o “dono do frete” no Brasil, com poder para operar as valiosas exportações do agronegócio.

Para a Bom Futuro, que tem uma frota de 470 caminhões, é um negócio e tanto. Para a Amaggi, que recentemente passou a operar hidrovias, é praticamente uma mina de ouro.

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A Malha Norte da Rumo responde por mais de 80% de toda a carga que a Rumo transporta. De Rondonópolis, principal polo logístico do agronegócio em Mato Grosso, partem os trens com milho, fertilizantes e, principalmente, soja: sozinha, a oleaginosa respondeu por 31% de tudo o que a empresa movimentou em 2025. O milho não veio muito atrás, com 21%.

Os trens seguem até Aparecida do Taboado, em Mato Grosso do Sul. De lá, entram na Malha Paulista e seguem até o Porto de Santos.

Por tudo isso, quando o assunto é venda da Rumo, o mercado se alvoroça. Dentro da Cosan isso também ocorre. Em uma reunião de apresentação de resultados, Rafael Bergman, CEO da Rumo, explicou que a Cosan realizou uma operação de TSR (Total Return Swap) com ações da Rumo, que rendeu R$ 3 bilhões em caixa da Cosan. O TSR é um contrato em que o vendedor ganha com a flutuação das ações de uma empresa. Esse contrato teria sido feito para aliviar o caixa da Cosan.

Ao ser questionado se venderia a Rumo, Bergman desconversou: “É uma consideração que está em andamento, a gente não tem nada de concreto para falar sobre isso”.

O que diz a Rumo 

A reportagem do PNB Online procurou Eraí Maggi, dono da Bom Futuro, para questionar se havia interesse em negociar ações da Rumo, uma vez que a empresa negociou propriedades rurais com o mesmo grupo econômico. A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Rumo, mas nenhuma resposta foi enviada.

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