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CINEMA E POLÍTICA: OSCAR 2025

Documentos sigilosos apontam que ditadura monitorou políticos e jornalistas em MT

Aqueles que criticavam o regime militar eram tratados como inimigos do Estado e passavam a ser monitorados por atos subversivos.

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Documentos sigilosos apontam que ditadura monitorou políticos e jornalistas em MT

O filme brasileiro Ainda Estou Aqui, que concorre a três estatuetas do Oscar no domingo (02.03), trouxe novamente à tona a realidade vivida por milhares de famílias durante o período da ditadura militar no Brasil. O filme é baseado na história de Eunice Paiva, uma advogada que se tornou ativista política depois que o marido dela, o deputado Rubens Paiva, foi preso por agentes do Estado na década de 70 e desapareceu. Rubens Paiva foi uma das mais de 400 vítimas que morreram ou desapareceram durante o regime militar, de acordo com dados da Comissão Nacional da Verdade.

A história retratada no filme Ainda Estou Aqui se passa no Rio de Janeiro. No entanto, casos de perseguição e prisão de opositores da ditadura ocorreram em todo o Brasil. Em Mato Grosso, por exemplo, muitos políticos e jornalistas foram monitorados durante esse período. É o que apontam documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI), à época sigilosos, e aos quais o PNB Online teve acesso.

Um documento de julho de 1983 da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) traz dados sobre personalidades mato-grossenses que eram alvos da ditadura e eram monitorados. O documento tinha como título “Infiltração Comunista nos Órgãos de Comunicação Social” e listava algumas pessoas que o regime passava a acompanhar de perto suas atividades políticas e particulares.

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Entre os ‘alvos’ apontados pelos documentos estão Antero Paes de Barros, Ronaldo de Arruda Castro e até o padre Raimundo Pombo, que no ano anterior havia concorrido e perdido a eleição para o governo de Mato Grosso.

Documentos sigilosos apontam que ditadura monitorou políticos e jornalistas em MT

 

O documento cita que órgãos de comunicação social da imprensa brasileira davam cobertura a fatos ligados a movimentos de esquerda, como pronunciamento de políticos, e “pesquisas e consultas populares tendenciosas e com respostas contestatórias ou desfavoráveis ao governo”. Para a ditadura, conforme o documento sigiloso, essa crítica constante à administração pública ocorria “graças à presença de comunistas nas redações dos jornais e revistas e nos bastidores das rádios e televisões”.

Os nomes apontados no relatório militar são listados de acordo com o trabalho e atuação política ou profissional. No trecho que trata de Mato Grosso, os nomes são listados e apontados como “elementos ligados a organizações subversivas e que militam na imprensa”.

O primeiro nome citado é do jornalista Antero Paes de Barros, que à época era vereador em Cuiabá. O documento informa que Antero é parlamentar, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e funcionário da Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá.

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Documentos sigilosos apontam que ditadura monitorou políticos e jornalistas em MT

Em seguida, o documento traz o nome de Ronaldo de Arruda Castro, “comunista confesso e atual presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, ex-redator chefe do Jornal Correio da Imprensa, de Cuiabá”. Na lista estão ainda Aluísio Arruda, do jornal Tribuna da Luta Operária; e Isaías Borges de Rezende, ex-deputado federal do PMDB.

O padre Raimundo Conceição Pombo Moreira da Cruz também é apontado pelo relatório como “subversivo”. O documento diz que Padre Pombo foi candidato derrotado ao governo e que estaria empenhado em lançar um jornal para dar voz ao partido PMDB em Mato Grosso.

Em outro documento, o ex-senador e ex-governador Carlos Bezerra e a ex-deputada federal Thelma de Oliveira também são citados como “comunistas infiltrados”.

O documento do SNI atribuía toda crítica ao governo militar a atividades subversivas. Para os autores do relatório, as críticas sistemáticas ao regime ditatorial tinham a intenção de “incutir em seus leitores o descrédito nas medidas governamentais e nas autoridades constituídas, estimulando-os ao desrespeito coletivo às leis” e por isso as pessoas que faziam essas críticas precisavam ser identificadas e monitoradas.

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