As investigações da Polícia Federal de suspeitas de contrabando de mercúrio usado na exploração de ouro colocaram luz, em desdobramento, sobre algumas questões graves na política estadual, como a ameaça da degradação ambiental diante da escalada da exploração mineral nos últimos anos e o negócio do ouro reservado para um seleto grupo de empresários-garimpeiros e grandes corporações internacionais. Questões de interesse público que não podem passar, como boiada, debaixo do nariz da população sem uma discussão democrática e, principalmente, pela reação das autoridades responsáveis pelo controle e fiscalização do meio ambiente em Mato Grosso.
Neste caso, vale lembrar, que não são só a Baixada Cuiabana e o Pantanal os focos da ganância e da cobiça dos empresários-garimpeiros de ouro. A região da Amazônia mato-grossense também representa uma área de influência e interesse dos “donos do ouro” em Mato Grosso.

Na região de Pontes e Lacerda, a Serra de Santa Bárbara possui um dos mais ricos ecossistemas do Estado, abarcando áreas de transição entre a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal, o que lhe confere características únicas. Dentro do território do Parque Estadual Serra Santa Bárbara está localizado o ponto mais alto do estado do Mato Grosso. Grandes empresas internacionais de origem canadense atuam naquela região. A questão: existe ali uma área de preservação ambiental e que pode ser engolida pela exploração mineral se a escalada da exploração mineral não for devidamente contida.
Pontes e Lacerda já foi conhecida como a Nova Serra Pelada, conforme citou a revista Exame em 2015. Em 2017, o então governo estadual fez uma grande operação de retirada de garimpeiros dos garimpos ilegais que invadiram o município. Hoje só as grandes empresas de mineração ocupam áreas, legais, naquela região. O negócio do ouro ali não é para amadores e gente sem poder, é tudo muito profissional, legalizado e protegido pelos governos de plantão.
Localizada nas terras altas da Amazônia Ocidental, no Vale do Guaporé entre os estados do Mato Grosso e Rondônia, próxima à fronteira com a Bolívia, é uma das áreas tropicais mais importantes do mundo para os programas de conservação ambiental.
Em 2017, o então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) fez um amplo estudo na região da Serra da Borda, também em Pontes e Lacerda.
“Os recursos minerais que ocorrem na área do Projeto Serra da Borda estão correlacionados principalmente aos depósitos de ouro. Nesta região houve pelo menos três períodos principais de exploração destas ocorrências: o primeiro ciclo relacionado com a exploração iniciada pelos bandeirantes no século XVIII; o segundo ciclo desenvolvido durante a década de 80, pelas primeiras empresas de mineração e por atividade garimpeira e o terceiro ciclo (atual), desenvolvido principalmente por empresas de capital internacional (Yamana Gold, Aura Minerals e Venturex)”, informavam à época os técnicos responsáveis pelo estudo do DNPM.
A gigante Aura tem projetos de exploração mineral, incluindo obviamente o ouro, em outros municípios de Mato Grosso: “Projeto de Ouro Matupá (“Matupá”) – projeto de ouro localizado ao norte do estado. Consiste em três depósitos: X1, Serrinha (ouro) e Guarantã Ridge (outros metais)”.
As empresas Mineração Serra da Borda, Apoena Mineração, e outras S/A, e seus negócios, precisam ser devidamente conhecidas pela população. Vale conferir o mapa da mina dos donos do ouro em Mato Grosso. Conhecer mais e melhor as áreas de exploração atual e conhecer quais são as áreas de proteção ambiental que estão ameaçadas pela escalada dos empresários-garimpeiros, se o passa-boiada da exploração mineral em áreas de preservação for realmente legalizado.
Entre a ideia de que o estado ganha com a arrecadação de impostos da exploração do ouro e a real ameaça da escalada da degradação ambiental, Mato Grosso vive hoje um momento de definição: é um estado que preserva antes de mais nada os interesses particulares de poucos empresários, com seus negócios que visam lucro a qualquer custo ambiental, ou um estado com uma política de preservação ambiental e justiça social?
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