Nos anos de 1990, os jornalistas Benedito Diélcio Moreira, Jairo Pitolé Santana e Tinho Costa Marques, fizeram parte de uma grande experiência do jornalismo de Mato Grosso com a publicação do semanário Fim de Semana. Uma das matérias de maior repercussão do Fim de Semana foi o questionamento da serventia dos vereadores. Para que serve um vereador? A pergunta serviu de gatilho para o debate sobre a importância do mandato de vereador, seu compromisso com a cidade, com a vida em associação e cooperação, bases da democracia.
A pergunta que não quer calar continua muito atual. Em desdobramento, para uma saudável reflexão cívica, vale questionar sobre um ponto específico: por que figuras de renome rejeitam a política municipal? Por que resistem em começar ou resistem em voltar à Câmara Municipal? É patente que a régua de qualificação dos candidatos a vereador fica a cada eleição em um nível mais baixo. Como é patente que o preconceito contra o papel do vereador junto à sociedade reflete-se na resistência de figuras públicas de renome em buscar uma vaga na Câmara.
Então, Pedro, você defende que só figuras de trabalho social e político reconhecido sejam candidatos a vereador? Em óbvio que não, mas convém explicar mais e melhor. Em óbvio, trata-se aqui de uma crítica à falta de coragem e à falta de vontade destas figuras públicas em cooperar, em colocar seus nomes na disputa municipal. O mercado eleitoral cuiabano precisa de um jogo de soma inteligente, alargando as opções para o eleitor: novas lideranças e profissionais em suas respectivas áreas dispostos a entrar na política pela porta da Câmara Municipal; velhas figuras carimbadas da politica do varejo que dizem entregar “resultados” e, também, velhas e novas figuras públicas de renome que efetivamente cooperem no debate de ideias e projetos para Cuiabá.
O preconceito contra a Câmara Municipal começa por parte da mídia quando cria o rótulo de “Casa dos Horrores”. Como se só os vereadores fizessem malfeitos e vexames. Não ocorre a essa mesma mídia chamar, por exemplo, a Assembleia Legislativa de “Casa dos Horrores” ou o governo de “Palácio dos Horrores”. A diferença de repasse de verba publicitária é um dos pontos para o deboche e o preconceito ficar no âmbito da Câmara Municipal. Como de outro lado, é essa mesma mídia, com honrosas exceções, que não cobra uma qualificação melhor, moral, ética e de compromissos, dos candidatos a vereador. Ou seja, o problema não é a instituição, mas a qualidade dos seus quadros, o que reforça a provocação que fazemos aqui.
Os partidos políticos também tem uma grande responsabilidade pela falta de candidatos, digamos, mais preparados, qualificados, para ocupar suas listas de oferta de nomes para os eleitores. O debate e os convites para quadros de maior credibilidade devem partir das direções partidárias. Para além dos candidatos a prefeito de Cuiabá, os deputados estaduais Eduardo Botelho (União), Lúdio Cabral (PT), Juca do Guaraná (MDB), Carlos Avallone (PSDB), e o deputado federal Abilio Brunini (PL), quais são os nomes de candidatas a vereadora e candidatos a vereador que os respectivos partidos oferecerão para o exame das cuiabanas e dos cuiabanos? Como no futebol amador, bem amador, parece ser um cata-cata de última hora de candidatos. Serve qualquer um para compor a lista do partido. Um gol contra Cuiabá.





















