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"MILÍCIAS AMADAS"

Flávio Bolsonaro sempre defendeu as milícias, hoje diz que “é contra”

Uma das características da milícia, uma organização criminosa que atua no mercado do crime a exemplo das facções, é sua capacidade de usar da Máquina Pública e Envolvimento Político. Muitas milícias possuem forte capilaridade política, elegendo representantes para cargos legislativos municipais e estaduais para garantir impunidade, blindagem institucional e contratos públicos. Além disso, em muitos casos, as milícias atuam em consórcio com as facções, repartindo as ações criminosas.

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(Foto: Reprodução)

O candidato a presidente Flávio Bolsonaro mudou ou foram as milícias que mudaram? Ele sempre expressou uma estranha paixão pelas milícias. É fato que Flávio fez carreira política até pouco tempo defendendo as milícias e celebrando os milicianos mais “famosos” do mundo do crime. Em seus discursos como parlamentar carioca, Flávio Bolsonaro chegou a classificar as milícias como uma “nova forma de policiamento” que trazia segurança e “paz” a comunidades carentes que sofriam com o tráfico de drogas.

Flávio Bolsonaro votou contra a CPI das Milícias (2008): ele foi um dos dois únicos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a votar contra a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o crime organizado e as milícias no Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro prestou homenagens a policiais ligados a grupo milicianos. Durante seu mandato no Rio, concedeu honrarias e moções a policiais que mais tarde foram formalmente acusados ou condenados por chefiar grupos de milícia (como o ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, condecorado com a Medalha Tiradentes).

Hoje, como candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro muda a narrativa da sua carreira política, afirmando que é contra milícias e milicianos, e que vai equiparar este tipo de organização criminosa às facções. Uma guinada cínica: depois de anos defendendo as milícias cariocas e homenageando milicianos, ele mudou o discurso. Agora Flávio equipara as milícias a facções como o Comando Vermelho ou o PCC, argumentando, só agora na eleição, que esses grupos praticam extorsão e terrorismo contra os trabalhadores e devem ser combatidos com o rigor da lei criminal. Terminou a paixão dele pelas milícias?

MILÍCIA, MODELO DE BANDIDAGEM

A distinção entre as milícias e as facções criminosas (como o Primeiro Comando da Capital – PCC, Comando Vermelho – CV, entre outras) no Brasil vai muito além do território em que operam. Ela reside na origem, na estrutura organizacional e, fundamentalmente, na natureza dos crimes cometidos.

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Enquanto as facções nasceram dentro do sistema prisional com foco primordial no tráfico de drogas e no crime transnacional, as milícias surgiram a partir de agentes e ex-agentes de segurança pública (policiais, bombeiros, militares) com o pretexto inicial de “combater o crime” e oferecer suposta segurança, evoluindo para um modelo de organização paraestatal e máfia de exploração econômica.

1 – Principais Crimes das Milícias

O modelo de atuação da milícia assemelha-se a um “estado paralelo” ou a um truste mafioso. O objetivo central não é apenas o comércio ilegal de substâncias, mas o controle territorial com foco na exploração monopólica de serviços públicos e privados.

Extorsão e Cobrança de “Taxas de Segurança”: Moradores e comerciantes são obrigados a pagar mensalidades sob a promessa de proteção contra roubos (proteção esta que muitas vezes os próprios milicianos rompem ou criam para justificar a cobrança).

Monopólio e Exploração de Serviços Essenciais (Gatonet, Internet e Gás):

– Controle forçado da distribuição de gás de cozinha (impondo marcas e preços abusivos).

– Gato-net (pirataria de TV a cabo) e fornecimento clandestino de internet com preços tabelados e monopólio de rede.

– Em algumas regiões, controle de distribuição de água e energia elétrica clandestina (“gatos”).

Grilagem e Especulação Imobiliária Ilegal: Ocupação de terrenos públicos ou privados, construção irregular de imóveis (muitas vezes em áreas de risco ou de preservação) e venda ou aluguel forçado dessas unidades sem qualquer regulamentação urbanística.

Exploração de Transporte Alternativo: Controle armado de linhas de vans, mototáxis e lotações, impedindo a entrada de concorrentes e cobrando taxas diárias dos motoristas.

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Uso da Máquina Pública e Envolvimento Político: Muitas milícias possuem forte capilaridade política, elegendo representantes para cargos legislativos municipais e estaduais para garantir impunidade, blindagem institucional e contratos públicos.

Homicídios de Execução e Alianças com o Crime: Embora nascidas sob o discurso de combate à criminalidade, milícias executam desafetos, concorrentes, devedores e ativistas políticos com características de grupos de extermínio e sicários (pistolagem).

  1. Principais Crimes das Facções Criminosas

As facções criminosas têm sua espinha dorsal estruturada em torno do mercado ilícito de drogas e armas em larga escala (nacional e internacional), funcionando como corporações em rede.

Tráfico Internacional e Interestadual de Drogas e Armas: O core business das facções é a logística e a distribuição em grande escala de entorpecentes (cocaína, maconha, drogas sintéticas) e armamentos de grosso calibre.

Lavagem de Dinheiro em Grande Escala: Utilização de empresas de fachada, postos de gasolina, comércios locais, criptomoedas e o mercado financeiro formal para ocultar lucros bilionários do tráfico.

Corrupção Sistêmica de Agentes Públicos (Policiais, Juízes, Políticos): Diferente das milícias (onde os agentes muitas vezes são os líderes), as facções compram e corrompem agentes do Estado para garantir rotas de fuga, informações privilegiadas e liberação de cargas apreendidas.

Homicídios por Disputa Territorial (Guerra de Facções) e “Tribunais do Crime”: Execuções sumárias motivadas por disputas de pontos de venda de drogas (bocas de fumo), traições internas, ou julgamentos paralelos cometidos contra pessoas que desrespeitam suas regras de conduta nas comunidades.

Roubos a Bancos e Cargas (“Novo Cangaço”): Ações violentas coordenadas de grande impacto contra instituições financeiras, carros-fortes e centros de distribuição logísticos.

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