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O TAMANHO DO COMPROMISSO

Gestão de Otaviano e o combate à violência contra a população LGBTQIA+

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deu uma demonstração simbólica que não será nem subalterno e nem cópia do ex-governador Mauro Mendes (União) ao nomear a coronel PM Susane Tamanho como secretária de Segurança Pública de Mato Grosso. Susane é a primeira mulher e LGBTQIA+ a assumir a Segurança Pública. É fato: essa é uma nomeação que jamais seria feita pela gestão retrógrada e preconceituosa de Mauro Mendes. 

A coronel Susane Tamanho é casada com a também policial militar Patrícia Silva Santos. Elas estão juntas há mais de 20 anos e têm três filhas. O casal compartilha a rotina com as crianças em uma conta pública no Instagram.

Entre intenção e gesto existe um abismo. Como será conduzida a política de segurança pública na gestão Otaviano Pivetta em relação à população LGBTQIA+ em Mato Grosso? A falácia do Programa de Tolerância Zero, 100% só propaganda, redundou no fracasso da segurança durante o governo de Mendes. Sob Mauro Mendes, na verdade, o crime organizado continuou forte nas principais cidades do estado e as forças policiais continuaram com déficit de contingente em todas as áreas do sistema de segurança, e não apenas na Polícia Militar.

 O segmento LGBTQIA+ é um alvo específico da violência em Mato Grosso. Espera-se que a nomeação da primeira mulher e LGBTQIA+ a assumir a Segurança Pública seja mais do que um gesto simbólico movido pela estratégia eleitoral da campanha a governador. Nomear e assumir para valer o combate à violência é a consequência que se espera do governo de Otaviano.

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O governo estadual na gestão de Mauro Mendes chegou a criar um grupo especial na SESP para combater crimes de homofobia e transfobia, buscando qualificar o atendimento e a investigação, que serviu mais para propaganda do que para resultar em efeitos práticos de compromisso de ação. A sociedade civil cobra políticas públicas mais robustas de acolhimento e inserção no mercado de trabalho para reduzir a vulnerabilidade, e principalmente o combate efetivo da violência contra a população LGBTQIA+.

Coronel foi comandante da Força Tática de Cuiabá e é a primeira mulher no comando da Sesp (Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT)

A REALIDADE DA VIOLÊNCIA EM MATO GROSSO

A situação da violência contra a população LGBTQIA+ em Mato Grosso apresenta dados alarmantes, com um aumento expressivo em categorias específicas de crimes nos últimos anos. Embora os números totais possam oscilar, a brutalidade e a falta de notificação oficial ainda são desafios centrais.

Aqui estão os pontos principais baseados nos relatórios mais recentes (2024–2026):

  1. Aumento Crítico em Homicídios e Estupros

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) e do Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário de agravamento:

  • Homicídios: O número de assassinatos contra pessoas LGBTQIA+ em Mato Grosso quase dobrou entre 2023 e 2024, saltando de 7 para 13 casos (um aumento de aproximadamente 85%).
  • Violência Sexual: O dado mais chocante é o aumento de 800% nos casos de estupro registrados contra essa população no estado no mesmo período.
  • Ranking Nacional: Em relatórios de 2024/2025, Mato Grosso chegou a figurar como o 3º estado com maior número de mortes violentas de pessoas LGBT+ em números absolutos em determinados períodos.
  1. Letalidade em Cuiabá
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A capital mato-grossense, comandada atualmente pela extrema direita bolsonarista, aparece com destaque negativo em pesquisas nacionais:

  • Cuiabá foi listada como a 3ª capital mais letal do Brasil para a população LGBTQIA+ em termos proporcionais (taxa de 0,79 mortes por milhão de habitantes), ficando atrás apenas de Manaus e Maceió.
  1. Perfil da Violência em 2025/2026
  • Pessoas Trans: O Dossiê da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) de 2026 indicou que, embora tenha havido uma leve redução nacional nos assassinatos, o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo. Em Mato Grosso, foram registrados oficialmente 3 assassinatos de pessoas trans em 2025.
  • Crueldade: Os registros frequentemente mencionam crimes com sinais de tortura, carbonização e uso de armas brancas, o que caracteriza o componente de ódio (LGBTfobia) por trás das mortes.
  1. Subnotificação e Resposta Institucional
  • Subnotificação: Especialistas e ONGs, como o Instituto Jejé de Oyá em MT, alertam que os números oficiais são apenas a “ponta do iceberg”, pois muitos crimes não são registrados com a motivação de gênero ou orientação sexual.

A coronel Susane Tamanho terá muito trabalho à frente. O governador Otaviano Pivetta deve dar todas as condições de trabalho e colocar como prioridade de governo o combate à matança de mulheres e o combate à violência contra a população LGBTQIA+ em Mato Grosso.

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