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GOVERNO DE NEGÓCIOS

Juiz manda Ministério Público se manifestar sobre acordo de R$ 308 milhões

Acordo entre PGE e escritório de advocacia retirou R$ 308 milhões dos cofres públicos e dinheiro foi parar em fundos ligados ao governador.

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O juiz Yale Sabo Mendes determinou na segunda-feira (30/06) que o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) se manifeste sobre o direcionamento do dinheiro de um acordo de R$ 308 milhões entre representantes da Oi S.A. e o Governo de Mato Grosso para contas de fundos de investimentos com ligação ao filho do governador, o empresário Luis Antônio Taveira Mendes.

O caso foi revelado com exclusividade pela reportagem do PNB Online em maio deste ano. A empresa, que está em recuperação judicial, cedeu o crédito a um escritório de advocacia em Cuiabá, que negociou o crédito em nome da companhia.  O escritório firmou um acordo sigiloso com a PGE, no qual o estado se comprometeu a devolver R$ 308.123.595,50 que teriam sido cobrados indevidamente da Oi pelo Estado em uma execução fiscal.

Por determinação do acordo com a PGE, o dinheiro foi parar nas contas de dois fundos de investimentos: Royal Capital e Lotte Word, cujo gestor, Fernando Luiz de Senna Figueiredo, também aparece como gestor de fundos que investem nas empresas da família de Mauro Mendes (União), governador do Estado.

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De acordo com Yale Sabo Mendes, logo após a reportagem do PNB Online uma denúncia foi apresentada em um dos processos sobre o acordo – o único que não está em sigilo – o que introduziu “fatos de extrema gravidade” e “potencial conflito de interesses” envolvendo agentes políticos.

Em decisões anteriores, Yale havia notificado o escritório de advocacia responsável pelo acordo a apresentar documentos sobre a legalidade do acordo com a PGE. O magistrado também determinou a notificação do administrador judicial da Oi, pois a empresa de telefonia vendeu por R$ 60 milhões um crédito que, após as tratativas da PGE, resultou em R$ 308 milhões. A reportagem do PNB Online também revelou que poucos meses antes do acordo entre PGE e escritório de advocacia, que em teoria resultaria em prejuízo para a Oi, o Governo do Estado firmou contrato secreto de R$ 354 milhões com a Oi S.A.

Em resposta à notificação do juiz, o escritório juntou a decisão homologatória proferida na Ação Rescisória sigilosa que teria sido proferida pelo desembargador Mario Kono. A decisão, segundo Yale, “elucida a base jurídica que ampara o pedido de liberação dos valores”.

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No entanto, conforme o magistrado, a questão envolvendo o patrimônio público ainda permanece no processo, cabendo manifestação do MP.

“Assim, se por um lado a questão cível parece ter sido esclarecida pelos documentos recentemente apresentados, a superveniência da referida denúncia impõe a este juízo máxima cautela, sendo indispensável a manifestação do órgão constitucionalmente incumbido da defesa da ordem jurídica e do patrimônio público, tal como já ressaltado na decisão anterior”, diz a decisão do magistrado.

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