O governador do Estado, Mauro Mendes (União), e o ex-senador e empresário Cidinho Santos (PP) foram citados na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração com os nomes de Mendes e Cidinho foi feita pelo advogado Eli Cohen, que detalhou suas investigações sobre o tema nesta segunda-feira (01) em depoimento no Senado.
Diante das informações, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pediu que o colegiado encaminhe ao Ministério da Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de prisão preventiva de pessoas citadas por Cohen. Os nomes de Cidinho e Mauro Mendes não estão nesta lista de pedidos.
Na oitiva, o deputado Alfredo Gaspar é quem questiona quais personalidades públicas estiveram presentes na festa do grupo THG, ligado a Maurício Camisotti, que está em um dos grupos da suposta organização criminosa. Em seguida, Eli responde:
“Deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos, Arthur Lira, Cidinho Santos, governador de Mato Grosso Mauro Mendes, deputado Pedro Lupion e deputado Elmar Nascimento, estes são os que que tenho conhecimento”, declarou o advogado.
No momento em que os nomes de Cidinho e Mauro são citados, a senadora Margareth Buzetti pega o telefone. Segundo a assessoria de imprensa da senadora, ela foi atender a uma ligação do assessor da Casa Civil do Governo Federal.
Durante o seu depoimento, Cohen afirmou ter descoberto que as fraudes começaram em 2005 e, a pedido do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), Cohen citou os nomes de pessoas que supostamente coordenavam o esquema. Ele detalhou o papel de cada uma delas nas fraudes, chefiadas pelo empresário Maurício Camisotti e pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “careca do INSS”.
O depoente disse que, com as informações que apurou, denunciou o esquema à Polícia Civil de São Paulo em abril de 2023 e, dois meses depois, forneceu os dados aos jornalistas que publicaram as primeiras notícias sobre o escândalo.
Em respostas ao relator da CPMI, Cohen listou empresas e entidades envolvidas, citando inclusive nomes de deputados federais que teriam participado de uma festa do grupo empresarial Total Health (THG), controlado por Camisotti. Ele disse que tem suspeitas, mas não provas, de que as fraudes contaram com “suporte político” no Legislativo, no Executivo e no Judiciário.
“É um esquema criminoso empresarial, todo mundo sabia o que tinha que fazer. (…) A intenção deles era aumentar a influência deles aqui no Congresso e no INSS”, diz trecho do depoimento.
Esta não é a primeira vez que Mauro Mendes aparece associado a Maurício Camisotti. Em reportagem do portal Metrópoles, o governador também foi citado como um dos presentes em uma festa em Santa Catarina, em um resort de luxo, organizada pelo ex-deputado Antônio Luz Neto, que contou com a presença de Camisotti. Na época, Mendes não respondeu aos questionamentos do Metrópoles.
A reportagem do PNB Online também procurou a assessoria de imprensa do governador para buscar esclarecimentos sobre a nova citação, mas até o fechamento não obteve resposta.
Ao ser procurado pela reportagem, Cidinho Santos afirmou que não conhece Maurício Camisotti nem a empresa dele.
“Na ocasião citada fomos em um evento em Florianópolis no aniversário de um amigo nosso, o Antônio Luz, que a família dele é sócia-fundadora da Sadia. Então, conheço ele há mais de anos, e ele promove todo ano um encontro de líderes, um debate e uma mesa redonda com empresários e políticos. E no final do dia ele faz uma festa comemorando o aniversário dele”, declarou Cidinho.
Segundo o ex-senador, todos os gastos foram quitados do próprio bolso e Mauro Mendes teria feito o mesmo, pagando suas próprias despesas no evento.
Com informações da Agência Senado





















