Entre a intenção e o gesto há um enorme vazio político em Cuiabá. A audiência pública realizada na Câmara de Cuiabá na última sexta-feira (14.03) foi solenemente ignorada pelo governo Mauro Mendes, que não mandou ninguém para representar o estado, sendo o responsável pela obra. A ausência neste debate público, além de desprezar politicamente a Câmara, foi um gesto em si de desprezo pela população. O governo perdeu uma oportunidade de se mostrar democrático e corajoso, encarando o debate sobre o atraso da obra.
O gesto do governador representou, politicamente, a desqualificação dos vereadores cuiabanos e da instituição. A ausência foi uma espécie de carimbo: o governo não trata dos problemas públicos sob sua responsabilidade na “Casa dos Horrores”.
A Câmara Municipal de Cuiabá sediou uma audiência pública convocada pela Comissão de Obras, com o intuito de discutir os avanços e os desafios das obras do BRT na cidade. Além da ausência de qualquer representante do governo do estado, vale registrar as ausências de grande parte dos vereadores. Presidida pelo vereador Alex Rodrigues (PV), a audiência contou com a presença dos vereadores Dídimo Vovô; Ildes Taques; Demilson Nogueira; Dilemário Alencar; Jefferson Siqueira; Eduardo Magalhães; Paula Calil, presidente da Casa, e Daniel Monteiro.
O restante das vereadoras e vereadores não deu as caras para participar de um debate que é de interesse público, do debate sobre questões relativas à maior obra viária hoje na Capital de Mato Grosso. Ou seja, as vereadoras e vereadores ausentes também contribuíram para reduzir o legislativo à “Casa dos Horrores”. O pensamento apequenado de que participar da audiência pública convocada pelo colega seria o equivalente a colocar azeitona na empada do outro. Por esta lógica torta é o mesmo que dizer: “a população que se exploda”.
O governo do estado não se dignou a informar o porquê da ausência, as vereadoras e vereadores ausentes também não deram explicações pela não participação neste debate público sobre a obra do BRT. A sociedade cuiabana vai cobrar, em algum momento, tal omissão política.

A nota da assessoria do evento lista além dos vereadores presentes os representantes de diversas entidades:
O evento também reuniu representantes de diversas entidades e órgãos importantes, como Paulo Cesar (Diretor de Trânsito da SEMOB), Kamila Auxiliadora (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), Juliano Brustolin (Vice-presidente da Comissão de Acompanhamento Legislativo), Junior Macagnam (Presidente da CDL), Sebastião Belém (Secretaria de Obras Públicas), José Ademir dos Santos Junior (Empresa J. Prime), Pedro Aquino (Presidente da ASSUT-MT e da Associação dos Usuários do Transporte Público de Cuiabá), Álvaro Bezerra (Diretor da ACEC), Nicolau Cesar (Diretor da SEMOB) e Mauro (Pastoral do Imigrante).
O destaque da ausência do governo Mauro Mendes
Apesar da ampla participação de autoridades e especialistas, a audiência foi marcada por uma ausência significativa: o Governo do Estado, responsável pelas obras, não enviou nenhum representante. A ausência foi bastante impactante, considerando que foram 45 dias de organização para a audiência. A falta de explicações sobre o andamento da obra e os atrasos no cronograma geraram revolta entre os presentes.
A indignação
O presidente da Comissão de Obras, Alex Rodrigues, não escondeu a frustração com a ausência do governo estadual. “A política seria de resultados, a politiquice não. Gostaríamos de saber dos responsáveis o prazo, o cronograma e o projeto, mas isso não vai diminuir o trabalho da Câmara Municipal de Cuiabá. Vamos continuar nosso trabalho e convidá-los para a próxima reunião da comissão de obras”, afirmou Alex Rodrigues, ressaltando que a população está cobrando respostas sobre o andamento da obra. “Quem nos elegeu está cobrando, que é o povo. O povo não está aqui na audiência porque está trabalhando, tem hora para chegar e sair. E o BRT era para ser um auxílio no dia a dia das pessoas”, completou.
O impacto da obra inacabada
Os atrasos nas obras do BRT têm gerado sérios impactos no trânsito de Cuiabá, com reflexos visíveis em várias regiões da cidade. A situação é especialmente crítica em avenidas como a Historiador Rubens de Mendonça (do CPA) e Fernando Corrêa, onde as obras têm causado congestionamentos e dificultado o deslocamento da população. A Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), um dos principais pontos críticos da obra, ainda não conta com uma solução definitiva para os alagamentos que comprometem a operação dos ônibus elétricos planejados para o sistema.
Durante a audiência, os vereadores presentes reafirmaram seu compromisso em buscar soluções para destravar a obra e atender às necessidades da população cuiabana. Como próximo passo, os membros da Comissão de Obras Públicas realizarão uma visita técnica aos canteiros de obra para avaliar de perto os avanços e os desafios enfrentados pelo projeto.
(Fonte: Câmara de Cuiabá – MT)




















