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Visivelmente emocionado, o conselheiro Valter Albano participou nesta terça-feira (01.09) de sua primeira sessão ordinária no retorno ao cargo no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Depois de quase três anos de afastamento, Albano foi reintegrado na quarta-feira (26), em cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). “Reintegrado ao meu cargo de conselheiro. Quero expressar minha mais profunda felicidade”, disse Albano.
Eleito pelo Pleno do TCE, na sessão ordinária remota desta terça-feira (1º), por unanimidade, para o cargo de corregedor-geral da Corte de Contas, Valter Albano constatou como lidou com que ele chamou de “mal” e o que isso representou para a vida dele em aprendizado e crescimento pessoal
“Caminhei pelo vale da indignação, tristeza e desesperança. Aprendi com os guias espirituais que não devemos desejar o mal e nem perseguir quem nos faz o mal. Mas aprendi também que não preciso conviver com aqueles que me fizeram o mal. O mal me fez bem. Nesse período de três anos afastado do cargo, evolui. Valorizei a família, as verdadeiras amizades. Sinto-me em condições de dizer que sou outra pessoa. Penso que posso dizer que sou uma pessoa melhor. Sofri muito. Mas não me fez desacreditar na Justiça, nas instituições, nas autoridades e nos agentes públicos”.
Valter Albano e outros quatro conselheiros do TCE, Antônio Joaquim, José Carlos Novelli, Valdir Teis e Sérgio Ricardo, foram acusados pelo ex-governador Silval Barbosa de receber R$ 53 milhões em propina para aprovação de contas do governo do Estado relacionadas à Copa do Mundo em 2014. A decisão do STF, em setembro de 2017, foi tomada sem que houvesse uma denúncia formal de corrupção por parte do Ministério Público.
O processo de investigação está em andamento, por isso, Albano disse que prefere não entrar em detalhes mas acredita que a Justiça vai prevalecer. “Confio que no final o justo prevalece. Não me proponho a discutir a origem, conteúdo e decisões judiciais que me atingiram. Seria precipitado porque tem todo um processo em andamento. No momento adequado avaliarei se é necessário entrar em detalhes. As medidas foram duras demais para alguém que nunca foi condenado ou sofreu qualquer reprimenda nos seus 48 anos de vida pública. Mas a Justiça se completará em breve, tenho certeza. Me animo e entendo adequado reafirmar e renovar minhas convicções ideológicas”, ressaltou.
Para o conselheiro , o afastamento do TCE provocou muitas reflexões e a constatação do que o ser humano é capaz pelo poder. “O orgulho, a vaidade, soberba, destroem o ser humano. A pessoa perde noção de limites, de certo e errado”, apontou no discurso por meio de videoconferência.
Segundo Albano, a disposição dele com o retorno ao trabalho é atuar em prol de um Estado com menos gastos e mais justiça social. “Meu compromisso com o Estado forte, mas enxuto e justo”.
No habeas corpus concedido STF, o ministro Ricardo Lewandowski classificou a continuidade do afastamento de Valter Albano como um “flagrante constrangimento ilegal”. O ministro apontou ainda a morosidade na apuração dos fatos: “há casos de investigações que jamais terminam”. Além dele, foi favorável ao retorno do conselheiro ao TCE o ministro Gilmar Mendes.
Os quatros conselheiros que continuam afastados aguardam ter o mesmo tratamento de Albano no julgamento do STF. “Aguardo que os processos em andamento envolvendo meus colegas e os meus que possam ser céleres, justos, para que todos possam trilhar seus caminhos”, concluiu o novo corregedor-geral de Contas.
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