
Mato Grosso está entre os estados brasileiros em que micro e pequenas empresas menos reconhecem os riscos das mudanças climáticas, apenas 40% afirmam perceber ameaças relacionadas a eventos extremos como secas, enchentes e ondas de calor. O dado aparece em pesquisa nacional conduzida pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), sediado em Cuiabá, que ouviu 4.039 empresários de todos os estados.
O resultado contrasta com a alta exposição do estado a impactos ambientais: calor extremo recorrente, seca prolongada e incêndios florestais que atingem áreas urbanas e rurais. Ainda assim, Mato Grosso aparece entre as unidades da federação com menor sensibilidade declarada ao tema, atrás inclusive de vizinhos como Goiás e Mato Grosso do Sul, onde a percepção também é baixa.
A pesquisa mostra que 63% das empresas brasileiras já sofreram diretamente com algum evento climático extremo, mas a proporção é bem menor entre negócios que operam em estados de baixa percepção, como Mato Grosso. O levantamento sugere que a falta de identificação dos riscos reduz a adoção de medidas preventivas ou estruturais.
Mesmo com baixa consciência sobre os riscos, empresas mato-grossenses seguem a tendência nacional: só reagem depois de sofrer danos. No país, quase 94% das empresas afetadas por secas implementaram alguma medida, como captação e reuso de água, enquanto apenas 16% das que nunca enfrentaram eventos extremos adotaram ações preventivas.
Quando o impacto ocorre, as respostas são pontuais: reforço de telhados e estruturas, uso de refrigeração contra ondas de calor, realocação de equipamentos em áreas sujeitas a enchentes e instalação de sistemas de combate a incêndios. Medidas de longo prazo, como planos formais de adaptação ou contratação de seguros, seguem raras entre micro e pequenas empresas.
A pesquisa indica que 72% das MPEs do país não possuem qualquer processo formal para avaliar riscos climáticos, e 66% não incluem o tema na estratégia empresarial. Apenas 7% têm comitês ou áreas dedicadas à sustentabilidade. O cenário é semelhante ou mais acentuado nos estados com menor percepção, caso de Mato Grosso.
Na descarbonização, o quadro é ainda mais incipiente: 65% das empresas brasileiras não monitoram emissões e só 6% têm metas de longo prazo. O desconhecimento sobre ferramentas de medição, como o Protocolo GHG, chega a 68%.
Falta de apoio e financiamento
Outro ponto destacado é o baixo acesso a apoio institucional: 55% das empresas não recebem nenhum tipo de suporte técnico para adaptação ou mitigação. Apenas 5% já acessaram financiamento climático, índice que acompanha a baixa procura. A maior parte sequer sabe se as linhas disponíveis se aplicam ao próprio negócio.
Apesar disso, onde o apoio chega, os efeitos são imediatos: 95% das empresas que receberam consultoria implementaram ao menos uma medida de mitigação, segundo o estudo.
A pesquisa conclui que o país depende dos pequenos negócios, responsáveis por 95% das empresas e 80% dos empregos privados, para avançar na agenda climática. Mas, sem apoio técnico, informação acessível e incentivo financeiro, especialmente em estados como Mato Grosso, a transição para uma economia resiliente segue distante da realidade da maioria.






















