Pesquisar
Close this search box.
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

Presidente da Ager-MT é investigado por assédio moral contra mulheres

Uma das servidoras pediu demissão por não suportar as condições impostas, enquanto outra funcionária se afastou e não retornou mais.

Publicidade

Um inquérito civil ativo conduzido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) da 23ª Região investiga denúncias de violência psicológica e discriminação de gênero na Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso (Ager-MT). O principal alvo dos relatos de servidores é o presidente da agência, Luis Alberto Nespolo, apontado como o autor de uma série de condutas abusivas, perseguições e assédio sistemático direcionado, sobretudo, às funcionárias da instituição.

Autuado em 17 de abril de 2026, o inquérito foi oficialmente instaurado por portaria assinada pelo procurador do Trabalho André Canuto de Figueirêdo Lima, em 11 de maio de 2026. A investigação visa apurar possíveis ocorrências de desrespeito a normas trabalhistas essenciais, focando na integridade psíquica e em questões de gênero no ambiente de trabalho da agência reguladora.

De acordo com depoimentos de servidores obtidos pela reportagem do PNB Online, as mulheres têm sido as principais vítimas da gestão de Nespolo. Relatos indicam que o presidente adota uma postura altamente agressiva, realizando reuniões coletivas para expor publicamente questões particulares dos funcionários e desestabilizar a equipe. “Quando ele está viajando, a AGER respira um pouco”, revelou um servidor em tom de desabafo.

Em razão de críticas públicas, humilhações e constrangimentos, muitos servidores acabaram saindo da agência. Em um dos casos, uma servidora desmaiou e teve de ser levada ao hospital após desentendimento com Nespolo. Em outro episódio, o diretor-presidente teria pressionado uma servidora a “confessar” que ela teria sido a responsável por uma denúncia, sobre uma questão administrativa, que acabou incomodando Nespolo.

A pressão psicológica descrita inclui mudanças arbitrárias no espaço físico de trabalho com o intuito de expor os servidores, tais como a retirada de mesas pequenas e de divisórias de privacidade.

Uma das servidoras pediu demissão por não suportar as condições impostas, enquanto outra funcionária se afastou e não retornou mais. De acordo com os registros, várias vítimas saem da agência tomadas pelo medo.

Leia Também:  Se a lei Antero já estivesse valendo, muito agressor de mulher estaria fora da política; veja a lista

A vulnerabilidade é ainda maior para as assessoras administrativas ocupantes de cargos comissionados, que representam cerca de 80% do setor e não possuem a estabilidade dos servidores efetivos, ficando sujeitas a demissões sumárias. Há registros de que até mesmo estagiários foram demitidos por determinação do presidente, após situações cotidianas e corriqueiras que o diretor-presidente classificava como erro grave.

Os relatos apontam que Luis Alberto Nespolo frequentemente ameaça servidores com a abertura de Processos Administrativos Disciplinares (PAD). Ele também teria iniciado uma “caça às bruxas” interna para identificar quais funcionários haviam protocolado denúncias anônimas junto à Ouvidoria no ano anterior.

Durante confrontos diretos, o presidente costuma ficar alterado. Em uma das ocasiões registradas, Nespolo teria pressionado um subordinado com termos religiosos: “Eu quero saber se você é meu ou se você é Judas”. Em outro momento de intimidação, o gestor teria afirmado a um funcionário: “Se você não falar, farei você [falar]”.

Ager-MT sob críticas 

Sob o comando de Nespolo, a Ager-MT tem sido alvo recorrente de denúncias de má gestão. O PNB Online mostrou, em outras publicações, o crescimento de reclamações de usuários do transporte público, rodovias e outros serviços públicos concedidos.

Ex-funcionário do ex-governador Mauro Mendes na empresa Bimetal, Nespolo tem ainda pela frente mais dois anos de mandato e não pode ser retirado do cargo. O diretor é considerado pessoa de confiança de Mendes na gestão da Ager, órgão que controla serviços de interesse para empresas da família do ex-governador, como energia elétrica, rodovias, e outros.

Além do aumento das reclamações, a Ager também vive um período de elevado acréscimo nos números de diárias concedidas, que beneficiam principalmente servidores da alta cúpula da agência.

Leia Também:  Escorpiões são responsáveis por 60% dos acidentes com animais peçonhentos em Cuiabá

Outro lado

A reportagem procurou o presidente da Ager-MT, Luis Alberto Nespolo, que não respondeu ao nosso pedido de manifestação. O PNB Online também procurou a assessoria de imprensa do Governo do Estado de Mato Grosso e da Ager-MT. Por meio de nota, o governo informou que a recebeu solicitação de informação do MPT à Controladoria Geral do Estado sobre o assunto. A Ager alegou não ter conhecimento sobre o teor da denúncia, mas que também encaminhará o caso à CGE.

Nota do Governo de Mato Grosso

O Governo de Mato Grosso informa que a Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) recebeu solicitação de informações do Ministério Público do Trabalho (MPT) relacionada à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (AGER-MT). A demanda foi encaminhada à Agência para que fossem prestadas ao órgão ministerial as informações e os documentos solicitados.

Em relação aos relatos de assédio, perseguição, humilhação e demais condutas atribuídas pela reportagem ao diretor-presidente da AGER-MT, esclarece que, dentre as denúncias encaminhadas à CGE e analisadas até o momento, não foi identificada denúncia que atribua diretamente ao presidente a prática dos episódios mencionados.

O Governo ressalta, ainda, que todas as denúncias formalizadas nos canais oficiais são apuradas nas Ouvidorias Setoriais.

Nota da Ager

Apesar da AGER-MT não ter conhecimento do teor da denúncia, encaminhará os documentos requisitados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MT), por meio da Controladoria Geral do Estado.

Por fim, reforça que não compactua com qualquer forma de assédio, discriminação, constrangimento ou violência no ambiente de trabalho e dispõe de canais para o recebimento e a apuração de denúncias, por meio da Ouvidoria e da Comissão de Ética e Integridade, todas unificadas ao Fale Cidadão, da Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT). Ressaltamos que todas as denúncias formalizadas estão em apuração.

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

Publicidade

Publicidade

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com o Deputado Estadual Wilson Santos

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Informe Publicitário

Publicidade

NADA PESSOAL

Nada Pessoal com Valdinei Mauro de Souza