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CULTURA CONTEMPORÂNEA

Tese na UFMT investiga como a luz natural de Mato Grosso influencia a estética do cinema

Pesquisa da iluminadora Priscila Lima Freitas analisa como a luz solar dos biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia se transforma em recurso narrativo na linguagem cinematográfica.

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(Imagem: Divulgação)

A iluminadora e pesquisadora Priscila Lima Freitas apresenta, no dia 17 de março, a tese de doutorado Cinema e Meio Ambiente: Um estudo sobre a luz natural de Mato Grosso, no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A defesa será realizada às 9h, com transmissão pelo canal EccoTube no YouTube.

O trabalho investiga como a luz natural presente nos biomas de Mato Grosso, Pantanal, Cerrado e Floresta Amazônica, é incorporada à linguagem cinematográfica e transformada em elemento de construção estética e narrativa nas imagens em movimento.

A pesquisa parte da ideia de que existe uma continuidade entre natureza e cultura. Nesse contexto, a luz solar, fenômeno natural, passa a ser apropriada pelas práticas do cinema como iluminação, recurso técnico e expressivo capaz de produzir significados na estrutura do filme.

Para examinar esse processo, a doutoranda desenvolveu um modelo analítico que busca compreender a passagem da luz como fenômeno natural para a iluminação enquanto construção cultural. A investigação foi orientada pela pergunta central sobre como a luz natural é tomada como iluminação no processo de montagem da estrutura discursiva fílmica.

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O estudo articula teoria, entrevistas e experimentação prática. Entre os referenciais teóricos mobilizados estão autores como John Dewey, Georg Simmel e Maurice Merleau-Ponty, além de pesquisadores do campo do cinema e da imagem. A análise também dialoga com conceitos de iluminação cinematográfica adaptados às condições da luz solar.

No campo metodológico, a pesquisa utilizou entrevistas realizadas no podcast Arte, Cinema e Luz Natural, desenvolvido no âmbito do projeto Podcast de Construção Científica da UFMT, além de experimentações práticas denominadas “Exercícios de Luz”, realizadas nos três biomas estudados. Todos os episódios do podcast podem ser conferidos neste link.

(Foto: Arquivo Pessoal)

As imagens analisadas foram organizadas considerando fatores como tipo de plano, período do dia e características da luminosidade. O estudo descreve aspectos como intensidade, distribuição, cor e conforto luminoso da luz natural, buscando compreender como essas condições influenciam a composição da imagem cinematográfica.

Segundo os resultados da pesquisa, a luz solar em Mato Grosso apresenta características físicas e culturais específicas, que impactam diretamente a forma como cineastas trabalham a iluminação em produções realizadas na região. A tese aponta que a transformação dessa luz em recurso cinematográfico depende de fatores ambientais, técnicos e simbólicos.

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Para o orientador da pesquisa, professor Pedro Pinto de Oliveira, o estudo evidencia um aspecto central da produção audiovisual no estado. “A tese da Priscila ilumina efetivamente um aspecto extremamente importante na produção cinematográfica em Mato Grosso, a partir do contexto dos diferentes biomas que temos em nosso território. Do ponto de vista conceitual, a criatividade tomada pela análise na interseção da arte, cultura e filosofia aponta para um olhar para a continuidade entre natureza e cultura. A luz natureza/iluminação cultura é o gesto potente e original da tese dela”.

O professor também destacou a participação da pesquisadora espanhola Caterina Cucinotta na coorientação do trabalho. “Outro aspecto que é preciso destacar é a participação da professora doutora Caterina Cucinotta. Suas contribuições foram essenciais para os resultados alcançados. Para o programa de pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO), a colaboração da pesquisadora da Espanha reforça o compromisso da internacionalização”.

A banca examinadora da defesa conta ainda com os professores Ana Catarina Santos Pereira e Pedro Paulo Gomes Pereira, como examinadores externos, e Leonardo Gomes Esteves e Benedito Dielcio Moreira, como examinadores internos.

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