
Em uma parceria inédita, o médico veterinário Marco Tulio dos Santos Costa será o primeiro estudante da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) a ser enviado pela instituição à China. Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGVET), o pesquisador vai passar nove meses no país asiático para avançar em seus estudos sobre o protozoário Neospora caninum, agente que causa abortos em bovinos e gera prejuízos econômicos ao setor pecuário.
A pesquisa de Marco, orientada no Brasil pelo professor Luciano Nakazato, busca desenvolver um teste diagnóstico rápido e uma possível vacina para o parasita, que afeta rebanhos em Mato Grosso, estado com um dos maiores efetivos bovinos do país, e em outras regiões do Brasil. “O aborto é uma das principais causas de perdas na pecuária. Um método eficiente de detecção e prevenção pode impactar diretamente a economia”, explica o pesquisador.
Marco tem como destino a Universidade Agrícola do Sul da China (SCAU), primeira instituição chinesa a firmar parceria com a UFMT. Junto com a SCAU, a UFMT mantém o Centro Chinês, iniciativa que tem ampliado o ensino de mandarim em Mato Grosso. Mais de 200 alunos já passaram pelo centro desde que ele começou a funcionar, em setembro de 2023. O curso de mandarim está atualmente com inscrições abertas.

Na China, Marco trabalhará sem um laboratório especializado em biologia molecular com acesso a uma estrutura tecnológica de ponta. “Lá, terei acesso a equipamentos e técnicas que não estão disponíveis aqui, como a expressão de proteínas do protozoário, por exemplo”. As atividades serão conduzidas em inglês, embora o estudante tenha cursado dois semestres de mandarim no Centro Chinês da UFMT para se adaptar melhor à rotina local.
A escolha pela China, segundo ele, deve-se não apenas ao interesse pessoal pela cultura asiática, mas à excelência do país em sua área de estudo. “A China é uma potência em biologia molecular. Essa experiência vai agregar tanto à minha formação científica quanto pessoal”, afirma.
Caroline Oliveira, professora que coordena o Centro Chinês da UFMT, explica que a o a parceria da UFMT com o país asiático é estratégica e importante para Mato Grosso também do ponto de vista de desenvolvimento econômico. “Mato Grosso tem uma balança comercial muito positiva com a China, e essa relação se fortalece quando há pesquisa envolvida”, explica.
“Lá, universidades e empresas possuem um elo forte, porque muitos pesquisadores são também empreendedores, e startups crescem com base em inovação. A UFMT e o estado têm uma oportunidade única de alavancar sua produção científica com um parceiro que é potência comercial e de fomento tecnológico”, complementa a professora ao explicar os esforços da Secretaria de Relações Internacionais da UFMT (Secri).
Perto da viagem, sua primeira para fora do país , Marco vê o intercâmbio como uma oportunidade decisiva para a carreira. “Além de avançar na pesquisa, quero conhecer novas metodologias e ampliar minha visão de mundo”, afirma. Caso os resultados sejam positivos, a vacina e o teste diagnóstico poderão ser incorporados ao combate do Neospora caninum no Brasil, o que beneficiaria produtores rurais.
























