
Na noite de terça-feira (24.06), uma reunião na Escola Estadual Gustavo Kulmann, no bairro Jardim Vitória, em Cuiabá, não permitiu a ampla manifestação de professores, o que gerou críticas de educadores e do sindicato da categoria. O encontro, voltado à apresentação do modelo cívico-militar à comunidade escolar, teve um professor interrompido e outro impedido de falar, segundo relatos de presentes e do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT). A direção da escola nega.
Conforme apurado pelo PNB Online, professores não tiveram autorização para se manifestar durante a reunião. A comunidade escolar foi orientada a guardar as cadeiras e encerrar o encontro antes que os profissionais pudessem apresentar argumentos contrários à militarização da unidade. Em um dos vídeos que circula nas redes sociais, o professor Alysson Cipriano se queixa pelo cerceamento de sua fala.
“Fui fazer minha fala com os professores e o microfone foi desligado, os pais foram dispersados […]. É engraçado não parar para pensar que não existe nesse estado uma escola particular militarizada. Porque os filhos da elite não são criados para marchar. Os filhos da elite são para aprender. Não existe um instituto federal, que são donos das melhores notas do ensino médio público, que seja militar”, disse. Veja o vídeo ao final desta matéria.
A votação sobre a adoção do modelo cívico-militar está prevista para os dias 26 e 27 de junho, tendo direito a voto pais e estudantes maiores de 16 anos. No entanto, o Sintep-MT critica o processo, que considera apressado e excludente. “O governo cria o caos para depois apresentar a militarização como tábua de salvação”, afirmou o presidente do sindicato, Valdeir Pereira. O curto intervalo entre a reunião de apresentação do modelo e a votação também é apontada como problemática.
Segundo o Sintep-MT, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) orientou que a reunião do dia 24 focasse apenas na “divulgação das positividades” do modelo, sem espaço para questionamentos ou contrapontos. A própria Diretoria Metropolitana de Educação (DME), órgão ligado à Seduc, teria comunicado à equipe escolar que os profissionais da educação não teriam direito à fala, justificando que não participarão da votação.
A escola, que já funcionou como cívico-militar quando integrava a rede municipal, enfrenta atualmente falta de profissionais, estrutura precária e sobrecarga de trabalho. A direção afirma ter solicitado a militarização como forma de garantir mais recursos. “O apoio necessário não virá de outra forma e a escola precisa”, teria dito a equipe gestora a pais e responsáveis.
De acordo com o sindicato, a maioria dos estudantes demonstra contrariedade ao modelo, muitos por terem vivenciado suas práticas rígidas quando a escola era municipal.Entre os estudantes, o modelo enfrenta resistência. Já entre os professores, o ambiente é dividido: enquanto alguns apoiam a mudança por acreditarem que ela pode trazer melhorias, outros temem a perda da autonomia pedagógica e a imposição de normas que excluam alunos.
Henrique Lopes (PT), deputado estadual suplente, criticou a falta de espaço para manifestação dos professores. “Quem entende de educação são os educadores. Qual a razão de não os ouvir?”. Para ele, é importante que a escola respeite a diversidade e as expressões individuais, como cortes de cabelo e uso de brincos ou tatuagens, práticas que poderiam ser proibidas caso o novo modelo seja adotado, conforme os educadores.
O outro lado – Atualização às 15h10
Após a publicação da matéria, a redação do PNB Online obteve retorno da direção da escola. A gestora responsável, Viviane Gomes, afirma que a reunião não contou apenas com a exposição de aspectos positivos do modelo, mas também dos negativos, por parte dos professores. “Anteriormente à reunião, tivemos palestra com os alunos, reunião com todos os servidores, painel de exposição dos prós e contra”, alega.
Gomes acredita que o modelo seja necessário para conter a indisciplina na unidade. “Acredito que a implantação do novo modelo possa ajudar na melhoria da organização, disciplina e consequentemente maior rendimento do ensino aprendizagem”, afirma. A diretora garante ainda que o processo foi democrático desde o início. “Falas deturpadas ofendem a essa gestão e a comunidade do Jardim Vitória”, finalizou.
A Seduc-MT também se manifestou no final da tarde desta quarta-feira (25.06). Confira na íntegra o que foi dito pela pasta: “A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) informa que o processo de transformação de uma escola regular para a modalidade cívico-militar é democrático e que a secretaria respeita manifestações de ambos os lados, reforçando a liberdade de escolha pelo sim ou pelo não”.
*Está matéria foi atualizada às 12h29
























