O governador Mauro Mendes (União) segue no vale tudo para cavar votos da extrema direita bolsonarista, correndo o risco de parecer um oportunista sem limites. Ele publicou um vídeo fazendo voltas e reviravoltas até dizer o que o eleitor bolsonarista de extrema direita quer ouvir: ele afirmou que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF foi político. Mendes até apela dizendo que é uma visão de juristas, mas que no final das contas ele avaliza, endossa e torna pública sua opinião que, em óbvio, desmoraliza o Poder Judiciário.
Alguns argumentos do governador são risíveis: se não teve tanque na rua e não teve tiro, então não teve tentativa de golpe. O governador não tem limites em apontar a trama política do STF contra Bolsonaro: ele afirma que “nenhum brasileiro viu Bolsonaro cometer crime”. Uma aleivosia explícita. O governador de Mato Grosso efetivamente diz que os brasileiros sofrem de cegueira política, não enxergam os fatos comprovados no julgamento de tentativa de Golpe de Estado.
A falácia favorita de Mauro Mendes é misturar coisas para esvaziar acusações. Quando tudo vale a mesma coisa, nada vale nada, uma falácia lógica. O STF é omisso em punir os crimes do MST, diz o senhor governador. O exemplo de crimes diferentes, processos diferentes, só reforça a crítica de Mendes aos ministros do Supremo, acusados de parciais e de misturar interesses políticos e eleitoreiros ao papel do Poder Judiciário.
Para não cair no Buraco da Memória: o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de estado por uma cadeia de fatos e ações para a destruição da democracia, dando lugar a uma nova ditadura:
Assassinar adversários políticos
Áudios de conversas entre o general da reserva Mario Fernandes, o tenente-coronel Mauro Cid e um grupo de elite do Exército chamado “kids pretos” mostram que os planos envolviam o monitoramento, a prisão ilegal e até o assassinato de Alexandre de Moraes, Lula e Geraldo Alckmin.
Parte do documento sobre o plano, de autoria de Mario Fernandes, chegou a ser impressa no Palácio do Planalto, “no mesmo momento em que lá se encontrava o presidente Jair Messias Bolsonaro”, segundo Moraes. “O planejamento é tão bem detalhado que há chances de êxito, efeitos colaterais e (menções) à necessidade de utilização de armas pesadíssimas”, apontou o relator.
Minuta de golpe de Estado
O rascunho de um decreto determinando uma intervenção contra o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para anular o resultado das eleições presidenciais de 2022 foi apreendido pela Polícia Federal durante buscas realizadas na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, em janeiro de 2023. A minuta previa medidas que interessariam diretamente ao presidente em exercício caso perdesse a eleição. Bolsonaro alegou, em seu depoimento ao STF, que discutiu a decretação de Estado de sítio, mas a ideia foi posteriormente descartada. Moraes, no entanto, refutou o argumento.
“Ora, não existe previsão constitucional para decretação de Estado de sítio, ou de defesa, ou GLO (Garantia da Lei e da Ordem) no caso de derrota eleitoral. Não existe. Chame-se como quiser. Aqui era uma minuta de golpe de Estado.”
Uso das Forças Armadas para desacreditar eleições
Entre as provas contra Bolsonaro, está a elaboração do relatório de fiscalização do sistema eletrônico de votação pelo Ministério da Defesa. Em 2021, Bolsonaro pressionou o Congresso pela adoção do voto impresso. Após a derrota da proposta, passou a insistir que as Forças Armadas deveriam atuar como “auditoras” do sistema eleitoral. O TSE então abriu espaço para que diversas entidades, inclusive o Ministério da Defesa, acompanhassem o processo de fiscalização. A pasta, chefiada então pelo general Paulo Sérgio Nogueira, montou uma equipe técnica para produzir relatórios sobre as urnas e o processo de votação.
Assista ao vídeo do governador:






















