
A doutoranda Jessica Bastos, do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECCO-UFMT), apresentou, no I Congresso Internacional Cómplices de la Comunicación, na Espanha, uma pesquisa preliminar sobre como dois acontecimentos recentes repercutiram em séries de memes nas redes sociais, especialmente no Instagram: a atribuição do apelido “Taxad” ao ministro Fernando Haddad e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O estudo, desenvolvido com o professor Pedro Pinto de Oliveira, observa que ambos os episódios foram amplamente registrados em forma de memes e analisa essas produções a partir de dois conceitos teóricos. O primeiro é a imagem como registro pleno e a montagem, inspirada em Georges Didi-Huberman e Aby Warburg, defendendo que a imagem deve ser entendida em conjunto com seu contexto histórico e nunca de forma isolada. A segunda é a experiência estética, no sentido formulado por John Dewey, que entende a comunicação como processo essencial para atribuição de significados.
Jessica destaca que a abordagem busca romper com leituras que tratam o meme como elemento isolado ou apenas humorístico. “A proposta é montar séries para observar o conjunto, e não cada meme como peça unitária”, explica. Para ela, o meme é um artefato híbrido, simultaneamente cultural e midiático, característico da comunicação multimodal.

Mesmo com análises ainda em andamento, a pesquisadora já identifica padrões. Nos memes ligados ao apelido “Taxad”, há forte presença de referências ao universo fílmico, principalmente figuras heroicas. O contraste chama atenção: mesmo sendo peças críticas e produzidas por opositores, os memes recorrem a uma estética de heroísmo para representar Haddad.
No conjunto sobre a prisão de Bolsonaro, predomina o vínculo com o cotidiano. A pesquisadora observa incidência de memes inspirados em ditos populares, cenas non-sense típicas da cultura brasileira e referências a objetos ou modas passageiras, de bebês reborn a morango do amor, além de forte presença de novelas.
Jessica argumenta que essas escolhas revelam como a cultura digital mobiliza elementos familiares para reinterpretar acontecimentos políticos, produzindo sentido a partir do humor ordinário. O estudo foi apresentado no congresso que discute memes, política e gênero em um cenário de crescente desinformação, polarização e disputas simbólicas nas plataformas digitais.
























