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ARTIGO

Não ao fascismo II

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Há, entre uma infinidade, outras duas razões para não se votar em candidatos da extrema direita nas eleições de outubro. O seu complexo de vira-latas (expressão criada por Nelson Rodrigues poucos dias antes do início da Copa de 1958, quando o Brasil finalmente se recuperaria do “Maracanazo” de 1950 e se tornaria campeão mundial de futebol), em relação, principalmente, aos Estados Unidos, e sua eterna mania hipócrita de se “sentar no próprio rabo para falar mal do rabo alheio”, isto é, criticar defeitos ou erros de alguém, ignorando os seus próprios (defeitos ou erros).

Um exemplo? Enquanto acompanhava as repercussões da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga um suposto desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos mato-grossenses, conhecido como Caso OI (aliás, destaque do noticiário nacional de quinta-feira passada), li que o candidato do clã Bolsonaro comparou Lula a (Joe) Biden, ex-presidente norte-americano, que, entre 2023 e 2024, quando tinha 80 anos de idade, andou tendo aparentes lapsos de memória. Pelo raciocínio do extremo-direitista, Lula, cuja idade atual é 80 anos, tem ideias atrasadas, está desconectado do mundo real e isolado na política externa. Ainda o culpa pelo bullying político que (Donald) Trump, seu ídolo maior, vem cometendo contra o Brasil.

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Por motivos óbvios, o extremo-direitismo esconde o fato de Lula ser considerado uma liderança de relevância global (basta perguntar à IA), enquanto Trump, o atual beneficiado do vira-latismo extremo-direitista brasileiro, é quem, na verdade, não anda muito bem na fita no panorama mundial. Aliás, embora quatro meses mais novo que Lula, Trump também é octogenário e suas atitudes, estas sim, parecem não estar conectadas ao mundo real. Tenta se portar como imperador do mundo (lembram-se da Cúpula do G7, em junho, quando depois chegar com uma hora de atraso, ainda ironizou “eu sou chefe”?), mas é lembrado pelos chineses que já não é mais assim.

No entanto, parece que a ficha não cai. Na semana passada, cancelou o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos em retaliação a uma possível demora na aprovação do novo indicado para o Brasil. Normalmente, o cargo é ocupado por membro do corpo diplomático, cuja indicação é precedida por consulta prévia e sigilosa. Nada disso aconteceu. O nome do indicado, um “importante” presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, (equivalente a uma assembleia legislativa brasileira), foi anunciado quase um mês antes do pedido formal ao governo brasileiro e, ainda, sem a aprovação do Senado norte-americano (a votação estava prevista para sexta-feira, 7). Por ser uma indicação política (filiado ao Partido Republicano, ligado a Marco Rubio, secretário de Governo e pretenso sucessor de Trump) e não diplomata de carreira, como costuma ser, fica sempre uma pulga atrás da orelha. Ainda mais vindo de Trump e da, sejamos claro, extrema-direita brasileira. Vôte!

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P.S. O nome do embaixador, Daniel Perez, foi indicado ainda na sexta-feira, 6.

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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