O setor do etanol reagiu à fala do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República, que criticou o recente aumento do etanol na gasolina. Em uma nota conjunta assinada por seis associações de produtores de etanol e cana-de-açúcar, o setor repudiou a fala de Flávio e ressaltou que declarações como a que ele fez servem para desinformar o consumidor.
Em uma transmissão em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro disse que iria rediscutir o percentual da mistura obrigatória de etanol na gasolina caso seja eleito presidente. Ele também comentou a necessidade de implementar outras formas de incentivo ao setor.
As entidades que reagiram à fala do candidato disseram que é surpreendente que tal crítica tenha partido de quem participou da decisão sobre o aumento de etanol na gasolina. “A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador”, diz um trecho do comunicado.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloízio Mercadante, também reagiu à fala do candidato. Ele argumentou que o investimento em biocombustível por parte do Governo Federal é um esforço para “fortalecer o agronegócio, a indústria e a inovação, ao mesmo tempo em que acelera a transição para uma economia de baixo carbono. É uma agenda que gera emprego e renda, agrega valor à produção brasileira e reduz a dependência de combustíveis fósseis”.
Mercadante disse ainda que a declaração de Flávio Bolsonaro de que “a gasolina virou etanol” é mais do que equivocada. “Revela uma visão ultrapassada sobre o futuro da energia. O Brasil não está ‘trocando gasolina por etanol’ para prejudicar o consumidor. Está avançando na transição energética, substituindo parte de um combustível fóssil por uma fonte renovável produzida no próprio país”, completou. Além disso, o investimento em biocombustível significa menos dependência do petróleo, mais mercado para o produtor rural, mais atividade para a indústria brasileira e maior segurança energética.
Confira abaixo a íntegra da nota das entidades do setor de etanol:
NOTA À IMPRENSA
Etanol: mais Brasil no tanque
A UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, a UNEM – União Nacional do Etanol de Milho, a Bioenergia Brasil, a FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil, a UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana e a ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil repudiam a declaração do senador Flávio Bolsonaro comparando a mistura de etanol na gasolina à chamada “reduflação”. A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro.
Surpreende que a crítica parta de quem participou da decisão. A Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado Federal com a anuência do próprio senador.
O etanol é combustível de elevada octanagem, produzido em mais de mil municípios brasileiros. Com ele, o consumidor recebe mais: mais desempenho, mais economia na bomba, mais empregos e mais soberania energética — o Brasil alcançou a autossuficiência nos combustíveis do ciclo Otto, que movem os veículos leves. A mistura vigente foi implementada com rigor técnico. As entidades signatárias reconhecem a condução responsável do processo pelo Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética, em diálogo permanente com o setor produtivo e a indústria automotiva. Sob essa coordenação, o Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota de 1994 a 2024, em laboratório e pista, nas misturas de 27%, 30% e 32%, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores de veículos e motocicletas. A conclusão: plena viabilidade, sem prejuízo ao desempenho ou ao consumidor.
O setor brasileiro de etanol seguirá defendendo, com fatos e ciência, o patrimônio energético que o Brasil construiu.
São Paulo, 21 de agosto de 2026
UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia
UNEM – União Nacional do Etanol de Milho
BIOENERGIA BRASIL
FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil
UNIDA – União Nordestina dos Produtores de Cana
ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil
























