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Na Câmara de Vereadores de Cuiabá, uma das cinco comissões de inquérito em andamento, a CPI do Paletó é a que se arrasta há mais tempo. Daqui a seis meses, em novembro, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o suposto recebimento de propina por parte do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), completa três anos de idas e vindas da investigação, com interrupções judicias. Até o momento, nada indica que a CPI está próxima de ser concluída.
Nesta quarta-feira (20), um novo personagem deveria ser ouvido mas os membros da comissão não conseguiram localizá-lo. Identificado apenas como Cleberson (vulgo Coxinha), é amigo do ex-chefe de gabinete de Silvio Corrêa, que teria envolvimento no esquema de gravação da conversa com o então secretário de estado, Alan Zanatta, que também é objeto de investigação por suposta obstrução de Justiça.
Ainda estão na agenda de depoimentos da CPI do Paletó o convite para o prefeito Emanuel Pinheiro esclarecer o fato; o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva; o irmão do prefeito, Marco Polo Pinheiro; e o perito Alexandre Peres, que analisou o áudio entre Silvio e Zanatta. A comissão aguarda a decisão do recurso impetrado na Justiça para derrubar o habeas corpus preventivo, concedido a Alan Zanatta, que evitou o segundo depoimento dele em meados de março deste ano. O habeas corpus foi concedido pelo juiz de plantão do final de semana, Jeverson Luiz Quinteiro.
Já foram ouvidos o ex-governador Silval Barbosa, o ex-chefe de gabinete Sílvio Corrêa e o ex assessor de Silvio, Valdecir Cardoso de Almeida.
Ascom Câmara de Cuiaba

Silval e Sílvio confirmaram que o dinheiro que o então deputado estadual Emanuel Pinheiro aparece recebendo em vídeo, veiculado em rede nacional, é propina definida em uma negociação entre o governador e a Assembleia Legislativa para a aprovação de projetos da Copa do Mundo, em 2014.
Foi Valdecir, como servidor do gabinete, que ajudou a instalar a câmera que flagrou Emanuel colocando dinheiro nos bolsos do paletó. Mas, no segundo depoimento dele, o ex-assessor deu outra versão para os fatos.
Segundo o presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki (DEM), após o vídeo que ajudou a gravar, Valdecir fez uma declaração em cartório inocentando o prefeito dizendo que o dinheiro que ele recebeu não era propina. “Agora, meses depois, ele volta atrás e diz que já não sabe e nem assegura mais a inocência de Emanuel. Ou seja, complica ainda mais a situação do prefeito perante a CPI e a sociedade cuiabana”, ressaltou Bussiki, ao avaliar a oitiva de Almeida, na semana passada.
A comissão, formada também pelos vereadores Toninho de Souza (PSDB) e Sargento Joelson (PSC), relator e membro da CPI, respectivamente, também aprovou o aproveitamento dos documentos já obtidos pela comissão desde quando foi instaurada em novembro de 2017. E em função do tempo entre suspensão e retorno da investigação, foi aprovado o requerimento do relator de atualização das informações junto aos órgãos de controle que investigam o caso.
A comissão foi suspensa em março de 2018, voltou em outubro de 2019, parou de novo e só foi retomada em fevereiro deste ano.





















