Vozes isoladas por vezes revelam de um lado, na política de Mato Grosso, que o governo parece ter tudo dominado, a começar pela ampla maioria parlamentar, desprezando qualquer crítica. Reduz tudo à ideia de “perseguição” dos adversários. O conteúdo da crítica, de outro lado, é então simplesmente reverberado como “ataques”, “armação”, “fake news”. Tais argumentos rasos ignoram o mérito da questão posta. Na política confinada às redes sociais, quanto mais raso melhor para o governo, rejeitando o debate mais aprofundado sobre seus erros e equívocos.
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) tem sido, por enquanto, uma voz isolada no parlamento em busca de eco junto à sociedade organizada e junto aos órgãos de fiscalização e controle. Ele criticou, segundo o site Gazeta Digital, a falta de cuidado do governo do estado com o Pantanal.

Segundo ele, a única política pública criada pelos governos de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, é rezar pela chuva. Os gestores estaduais lavam as mãos. A responsabilidade é de Deus e de São Pedro, seu secretário/ministro celestial do Meio Ambiente. O deputado ainda enfatizou, diz a nota, que o bioma se tornou invisível para as autoridades dos dois Estados.
“O Pantanal continua sendo desprezado pelos gestores, não este ou aquele, mas todos. Com exceção lá dos anos 60 e com exceção do Dante, todos os outros viraram as costas para o Pantanal e tá aí de novo. A única política pública em favor do Pantanal que os gestores de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso tem, é rezar, né? E pedir pela chuva”, disse. Rezar é o choque de gestão de resultados? O Pantanal merece mais.
A falta de política ambiental para o Pantanal se reflete no improviso amador, na ausência de planejamento competente, em cooperação, para enfrentar os incêndios que destroem a flora e exterminam a fauna pantaneira. Uma tragédia visível na mídia em escala global, queimando também a imagem internacional de Mato Grosso.
A outra tragédia no Pantanal, fruto da falta da política ambiental reclamada na voz crítica do deputado, parece ser invisível aos olhos do mundo: a escalada da exploração mineral. O Pantanal de Mato Grosso, em especial a região de Poconé, é alvo de intensa exploração mineral por parte de grandes empresários-garimpeiros, com o uso intensivo do mercúrio para a extração do ouro. Neste caso, rezar pela chuva não resolve o processo de degradação ambiental provocada pelos garimpos.






















