A senadora Margareth Buzetti (PSD) fez duras críticas ao posicionamento do deputado federal Abilio Brunini (PL) que acusou mulheres, vítimas de estupros, de abortar para curtir a vida, e destacou que “ele não sabe de nada” e que a defesa ao PL do Estupro é o mesmo que “passar a mão na cabeça do estuprador”.
“Essa fala é horrível! Ele está julgando todas as mulheres como se fizessem aborto para curtir a vida. Ele não sabe nada, quem pode falar sobre isso é a mulher, não é padre, não é bispo e não é o homem”, afirmou a parlamentar em entrevista na rádio CBN, na manhã desta segunda-feira (17.06), destacando que o apoio ao projeto trata-se de “passar a mão na cabeça do estuprador”.
Margareth lembra que o projeto foi apresentado por um homem, com um requerimento de urgência assinado por 33 homens e foi aprovado por maioria homem, representando um total desrespeito à mulher. “Não podemos ser só um corpo, um objeto, que é usado e descartado. Aí, eu estupro você e você tem que ter um filho, isso estimula a violência”, declarou.
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A senadora destacou que o projeto não se trata de liberar o aborto e deixou claro que não é a favor da descriminalização do ato. “Eu tive dois abortos espontâneos, com cinco meses, e isso é muito difícil, é muito traumático. Você pensa, no que fiz de errado? Agora você imagina uma menina do interior, que normalmente são crianças pobres estupradas dentro da casa? Nós temos dados que mostram que 80% dos estupros as vítimas são de 8 a 13 anos e ocorre dentro de casa. Ela nem sabe o que está acontecendo com ela. Aí você joga essa menina dentro de uma cela como homicida. Você vai jogar o responsável por ela numa cela por 20 anos, enquanto o estuprador tem uma pena de 14 anos?”, questionou, ponderando que a proposta está empurrando a mulher para a clandestinidade.
Margareth acredita que a discussão trata-se de uma politização cega liderada pela extrema direita. “As pessoas atacam sem entender, estão rasgando o código penal, vamos mudar apenas por uma questão política”, afirmou, lembrando que é autora do pacote antifeminicídio, que conta com três requerimentos de urgência, e até hoje não foi colocado em votação.
A senadora ainda disse ter sugerido ao autor do PL do Estupro que coloque na proposta a classificação do crime de estupro como hediondo, para que a pena seja de 40 anos, e ponderou que existem muitas outras propostas relevantes para ser debatida, antes desta matéria que tira direitos das mulheres.
Com informações da assessoria.























