
Realizada em Cuiabá, nesta quarta-feira (16.10), a abertura do V Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas contou com a participação do renomado pesquisador Karl M. Wantzen, da Universidade de Estrasburgo, que defendeu um olhar mais integrado e compassivo para a preservação dos recursos hídricos.
O evento, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal (INPP), o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INCT/INAU) e o Centro de Pesquisa Pantanal (CPP), tem como tema os impactos humanos em tempos de crise climática.
Na palestra intitulada “Guardiões da Água: as áreas úmidas precisam de um uso respeitoso”, Wantzen destacou a importância de repensar a relação entre a humanidade e a natureza. Para ele, há falta de integração entre os conhecimentos acadêmicos, produzidos dentro das Universidades e as populações locais. O pesquisador defende que é preciso valorizar o diálogo com aqueles que vivem e dependem diretamente dos ecossistemas.
Wantzen alertou para a crescente escassez de água, mencionando que, na França, por exemplo, o problema já atinge níveis críticos. Segundo ele, a crise hídrica, como a enfrentada no Pantanal em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, exige não apenas soluções técnicas, mas também uma mudança profunda na forma como a sociedade percebe e se relaciona com os recursos naturais.
Ele sugeriu que uma possível saída está na adoção de uma perspectiva inspirada em povos indígenas, que veem a natureza como uma extensão de suas próprias famílias. “Eles compreendem a natureza como algo conectado a nós, como parentesco. Se eu tenho você como um grande amigo, não tenho razões para te atacar. E esse deveria ser nosso pensamento com relação à natureza”, afirmou.
Para o pesquisador, também é importante integrar mais mulheres em movimentos de conservação ambiental e sustentabilidade. Ele defende que muitos movimentos sociais falham porque líderes homens são mais resistentes à transição de poder, estagnando o avanço das iniciativas. “O feminismo traz uma perspectiva crítica que pode ajudar a superar essa barreira e promover uma liderança mais inclusiva”, comentou.
Como forma de inspirar Cuiabá, Wantzen destacou exemplos de cidades que têm implementado iniciativas de recuperação de áreas úmidas e reconexão com a natureza, como é o caso de Recife. “Estão criando uma rede de espaços públicos verdes conectados aos rios, que incentivam o contato das pessoas com esses ambientes. Isso não apenas melhora a qualidade de vida, mas também traz benefícios econômicos, como a purificação da água”.
Ele ressaltou a importância de promover o interesse pelas áreas naturais nas primeiras fases da vida, e mencionou a criação de parques às margens dos rios como uma forma de aproximar as pessoas do meio ambiente. “Recentemente, levei alunos internacionais para um passeio de caiaque e eles ficaram encantados. Acredito que essas experiências despertam algo profundo nas pessoas que estão mais distantes do dia-a-dia com a natureza”, disse.
O Congresso Brasileiro de Áreas Úmidas segue até sexta-feira (18.10), com discussões sobre políticas públicas e estratégias para enfrentar os desafios ambientais globais, especialmente em tempos de crise climática.


























