O governador Mauro Mendes (União), engenheiro de formação, sabe que obra bem tocada é aquela que termina bem. Obra inconclusa é um vexame de engenharia e de gestão. E no caso da política, uma obra do tamanho do BRT, com todo o histórico polêmico do vai-e-vem do-BRT-para-VLT do-VLT-para-o-BRT, é um risco eleitoral, caso o novo modal de transporte não seja entregue à população até as eleições de 2026.
A novela da obra sem fim agora está no capítulo do troca-troca de consórcio para continuar tocando a obra. O governo de Mato Grosso concedeu mais cinco dias úteis para que o consórcio construtor, atual responsável pela obra do BRT, apresente defesa e justificativa na notificação de rescisão do contrato. O novo prazo termina na próxima quarta-feira (19/2).
A população sofre no inferno urbano. Uma obra que atormenta a vida diariamente tornando o trânsito ainda mais caótico. O povo ficou informado que agora terá que esperar pelo a) fim do capítulo da rescisão contratual e b) esperar por um acordo entre São Pedro com São Benedito. Isso porque o governador Mauro Mendes disse que a previsão é que daqui dois ou três meses, após as chuvas e início da seca, se inicie o processo de contratação de uma nova empresa para acelerar as obras. Acelerar significa, neste caso, tocar a obra que parou.
Mendes também chegou a dizer, que o consórcio que ficou em segundo lugar no processo de licitação deve ser convocado para assumir as obras do BRT. Segundo ele, é um dever legal contratar a segunda colocada no processo licitatório.
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A devagar-quase-parando oposição do governador Mauro Mendes parece que acordou e resolveu agir. O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) propôs, e a Assembleia Legislativa aprovou, a convocação do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, para explicar a situação das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) em Cuiabá e Várzea Grande. Na audiência, marcada para o dia 19 de fevereiro, às 9h, na Sala das Comissões, o secretário deverá esclarecer os motivos do atraso nas obras e também o futuro do modal de transporte intermunicipal.

“A convocação é para que o secretário venha prestar esclarecimentos sobre o BRT. Tem projeto básico? Tem projeto executivo? Qual o cronograma de pagamentos que já foi realizado? Foram feitas as medições necessárias para que o pagamento acontecesse? Porque a informação que circula é que o consórcio já recebeu 40% dos recursos da obra, mas entregou apenas 18%. Nós queremos esclarecer com detalhes todas essas situações, confrontar a posição do consórcio com a da secretaria, para que a Assembleia cumpra seu dever de fiscalizar essa situação da obra do BRT”, declarou o deputado da oposição.
A conferir a performance do secretário Marcelo de Oliveira, conhecido pelo seu pavio curto, pouco afeito a ser inquerido pelo parlamento. Se for blindado pela bancada governista, vai parecer que o governo teme a discussão pública. Se deixar no estilo livre, o governo corre o risco de ver o secretário exibir na Assembleia o seu estilo MMA de ser, a cada pergunta, uma resposta com porrada verbal. Na política do quem não deve não teme, espera-se que o secretário esteja tranquilo e respondendo tudo aquilo que a população tem o direito de saber sobre o BRT.























