Para quem tem lado político, convicções ideológicas claras, penso que está super simples a tarefa de escolher candidatos nas eleições 2026 aqui em Mato Grosso, minha terra.
Para mim, essa facilidade está evidente perante o cenário que começou a se consolidar nesta semana, com o início das convenções partidárias definindo as candidaturas majoritárias, chapas proporcionais e coligações no estado.
Numa leitura antecipada, o quadro eleitoral local sugere um pleito com disputa menos partida ao meio, como foi em 2022, por causa da polarização direita x esquerda. Ainda que dure, tal radicalização aparenta desgaste em MT.
Do imbróglio no campo da direita e da extrema-direita mato-grossense, acredito que só sairão nomes da velha política, as ‘figurinhas carimbadas’ de sempre, trocando apenas cadeiras e cargos em alguns casos.
No pleito majoritário, a estreante é Natasha Slhessarenko, da legenda PSD. Médica, ela é apoiada na campanha ao governo estadual pelo arco de alianças de partidos da esquerda e centro-esquerda no estado, incluindo o PT, que forma a Federação Brasil da Esperança junto com o PV e o PCdoB.
Segundo o TSE, há 30 partidos no Brasil. Em MT – estado em que a população, segundo as pesquisas, se coloca sobretudo à direita – os partidos dessa matriz ideológica terão candidatos dividindo o eleitorado conservador. Entre as legendas estão Republicanos, União Brasil, Podemos, PL, MDB, PP, Novo, PRD e Solidariedade.
No final, perante postulantes ao governo e ao Senado vindos de cima para baixo, ou melhor, definidos pelas lideranças políticas, e também pelas econômicas, em especial oriundas do agronegócio, a seleção será do eleitor, optando por nomes de forma pessoal, por ideologia ou por preferência partidária.
As convenções seguem pelas próximas três semanas. Nelas também serão formalizadas as chapas proporcionais, ou seja, as listas dos candidatos mato-grossenses às vagas de deputado federal (oito) e de deputado estadual (24) em 2026. Até pela quantidade de concorrentes ao Legislativo, o eleitor deve ‘se ligar’ na campanha, que, oficialmente, começa em 16 de agosto.
Deve ficar, de fato, conectado com a corrida eleitoral para tomada de decisão e para guardar na memória os nomes dos preferidos. De acordo com pesquisa Datafolha (junho/2026), a maioria dos brasileiros não se lembra em quem votou há quatro anos: 67% no caso de deputado federal e 66% no das escolhas de senador e deputado estadual.
A título de lembrança, no pleito de 2022, a bancada de MT na Câmara Federal foi composta por PL (4 cadeiras), União (2 cadeiras) e MDB (2 cadeiras). Na Assembleia Legislativa, 12 legendas partidárias preencheram os 24 assentos, com destaques para o MDB, PSB e União, com quatro parlamentares para cada uma delas.
Pessoalmente, tenho na memória os políticos que votei em 2022 (foram pouquíssimos eleitos, aliás!). Quanto ao pleito de 2026, pela vivência das eleições democráticas e leitura do atual debate público, os meus candidatos já estão escolhidos e adianto que são nomes abertos às transformações nos campos político, social e econômico.
Em nível regional, prestarei atenção naqueles que valorizam a identidade mato-grossense. Os perfis devem ter preocupações com meio ambiente, cultura, saúde gratuita, educação, segurança, violência contra mulher, entre outras. E apoiar pautas de defesa da democracia, da soberania nacional e das políticas para redução das desigualdades.
Tenho guardado um tweet, publicado em maio de 2020 pelo escritor Fabrício Carpinejar, em que ele diz que “na maior parte das vezes, quem silencia não concorda”, pontuando que “a quietude é uma declarada oposição de quem cansou de brigar, de quem viu que não vale a pena nem discutir”.
Carpinejar está certo. Mas há determinadas épocas, como as das eleições, que nos incentivam a ter posicionamentos de acordo com a nossa consciência.
Vamos aproveitá-las, seja para ganhar ou perder!

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online
Artigo publicado originalmente no Eh Fonte
























