Neste final de semana, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), hoje principal liderança da extrema direita bolsonarista em Mato Grosso, ocupou seu tempo para gravar e publicar um “vídeo-farsa”. Simula um pedido de “desculpas” por ter chamado a Universidade Federal de Mato Grosso de “bosta”. Aliás, mantém a tensão da polêmica ao repetir, por três vezes, a palavra “bosta”, o xingamento utilizado na sua peça de propaganda ideológica de ataque à UFMT.
Por que é uma simulação? Porque o prefeito que ofendeu a universidade, os professores, pesquisadores, alunos e alunas, formados e formadas, insinua que a reitora da UFMT, a professora doutora Marluce Souza, “deve” um pedido de desculpas. Em óbvio, Abilio cria a farsa de que está aborrecido com a universidade e revidou atirando “bosta” pelas redes sociais.
No próprio vídeo publicado por ele, a reitora da UFMT reconhece a parceria de Abilio com a instituição, destacando as emendas que encaminhou para a instituição, e espera que ele tenha um comportamento civilizado de respeito ao outro, de respeito à diversidade. Portanto, a reitora não tem que pedir desculpas.
O vídeo do político-celular traz uma série de argumentos rasos para justificar o seu gesto de baixaria. A questão da falta de segurança no campus não tem nenhuma ligação com a qualidade do ensino; a presença da militância de esquerda é facultada também para a militância de direita. O que não cabe na universidade e nenhum lugar da sociedade democrática é o extremismo, de direita ou esquerda.
Abilio fez um esforço, a expressão facial dele é evidente, para parecer uma pessoa razoável, reconhecendo um erro, na gravação do seu vídeo-farsa. Finge que pede desculpas. Na verdade, o prefeito bolsonarista cobra desculpas indevidas da reitora, com o cuidado de manter a sua membresia radical mobilizada.
A extrema direita é um veneno social que ganhou força no país com a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência da República. No espectro político, o bolsonarismo não é direita, não é direita autoritária, é extrema direita. Extrema direita é ter um líder de uma tentativa de golpe; amante declarado da tortura e da ditadura; responsável pela necropolítica na pandemia que resultou na morte de 700 mil brasileiros, promovendo o discurso de ódio contra o outro e desprezando a própria democracia. O ex-presidente Jair Bolsonaro cultivou a praga da extrema direita que custa caro à democracia brasileira.
Em tempo: democraticamente, veja abaixo o vídeo-farsa de Abilio para a avaliação pessoal dos internautas.
* Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciência da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.




















