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A procura pela alimentação orgânica no estado líder no uso de agrotóxico

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Segundo pesquisa coordenada pelo Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador (NEAST) da UFMT, a população de Mato Grosso está cerca de dez vezes mais exposta a agrotóxicos que a média nacional. O estado é o maior importador do herbicida glifosato, apontado por especialistas como altamente cancerígeno. Estas são algumas das razões que mais têm levado consumidores a buscarem por alimentos orgânicos, cultivados sem o uso de  fertilizantes artificiais ou pesticidas. O número de lugares que oferecem esse tipo de produto também tem aumentado na capital. 

 

Yaskara Schuistak (29), é mãe do pequeno Bernardo (02). A chegada da criança à família fez com que os hábitos alimentares fossem revistos e os alimentos orgânicos passassem a fazer parte do cardápio:  “a alimentação saudável veio fazer parte da nosso dia-a-dia principalmente por conta dele. A grande permissão e uso de agrotóxicos no Brasil nos preocupa e a busca por cuidar da saúde dele nos inspirou a preferir os orgânicos, já que ele é muito pequeno ainda e o organismo dele está em formação”, comentou a bacharel em Administração.

 

Schuistak conta ainda que faz parte de sua sexta-feira comprar frutas, folhas e verduras na Ecofeira, projeto da Faculdade de Economia da UFMT que comercializa todas as sextas-feiras produtos orgânicos produzidos por agricultores de cooperativas e assentamentos como Agroana (Horta Agroana), da cidade de Poconé (MT). O projeto busca substituir, no cultivo, o agrotóxico por compostos orgânicos, tendo como objetivo menos problemas de saúde e menores gastos para as famílias produtoras.  

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Ailson Duarte (35) é produtor e integra o projeto há seis meses. Para ele, o maior desafio é o controle das pragas, entretanto, a

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não exposição a venenos compensa o trabalho aumentado. Duarte tem percebido crescimento na procura de alimentos orgânicos, o que para ele se deve à maior conscientização da população quanto aos perigos que os agrotóxicos representam: “nós temos uma boa procura aqui na feira, às vezes nem conseguimos atender toda a demanda. Penso que cada vez mais as pessoas reconhecem os riscos dos venenos no cultivo”, disse. 

 

Os grandes mercados de Cuiabá também estão atentos à mudança de hábito dessa parcela da população. A rede Big Lar é uma das que disponibiliza esses produtos que vêm de pelo menos seis áreas de produção localizadas em Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Santo Antônio do Leverger, Cáceres e Chapada dos Guimarães. Parte dos produtores hoje já oferece exclusivamente para os grandes mercados.  

 

A produção de alimentos orgânicos, entretanto, não é feita em larga escala e, por isso, eles podem apresentar valores mais altos. A diferença, conforme apurou a redação em um supermercado de Cuiabá, pode chegar 46,35%, como o caso da couve. Outros itens também podem apresentar preços significativamente mais altos, como a alface crespa, 40,75%, e o tomate carmem, 43,61% mais caro. 

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A saúde, porém, agradece. Segundo apontou pesquisa coordenada pelo médico e professor da UFMT, Wanderlei Pignati, não por acaso, a rota do uso do agrotóxico no estado é a mesma rota de maior registro de casos intoxicação aguda, câncer e má formação congênita na população mato-grossense, sendo as regiões de Rondonópolis, Sinop, Tangará e Canarana com maior destaque. Ainda de acordo com o estudo, foram encontrados substâncias de agrotóxicos em no leite materno de mulheres da cidade de Lucas do Rio Verde.    

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