Agência Brasil

Acompanhando o cenário nacional, Mato Grosso registrou crescimentos acentuados nos preços de vários itens da cesta básica. Um levantamento registrado mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que, a despeito das safras recordes, alguns itens como o feijão preto chegaram a registrar aumento de até 58% no comparativo entre março e agosto deste ano.
Em Mato Grosso, o preço médio do quilo do feijão preto em março era de R$4,69, saltando mês a mês até chegar R$7,41 em agosto. Crescimento tão acentuado quanto o observado no preço do litro do leite líquido integral, que poderia ser adquirido no mercado varejista a R$2,94 em março, mas que agora custa em média R$4,27, um aumento de 45,23%. Entre os itens básicos que mais ganham destaque também estão arroz e óleo de soja, que tiveram respectivamente aumentos de 13,20% e 33,33%.
As razões para aumento, que é observado em todo o país, estão sendo discutidas por especialistas, governo e representações dos setores do comércio e do agronegócio. Técnicos do Governo Federal afirmam que o aumento é uma resposta dos varejistas a um possível represamento de produtos pelos agricultores.
PNB Online

Dados: Conab
Em nota divulgada nesta quarta-feira (09), a Associação de Supermercados de Mato Grosso (Asmat) e o Sindicato Do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Mato Grosso (Sincovaga) afirmaram que o aumento se originou no crescimento do preço da matéria prima dos produtos e não por deliberação do comércio. Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chegou a pedir que donos de supermercados que baixem preços dos produtos por patriotismo.
A nota assinada pelos presidentes das duas entidades representativas traz dados da empresa Cogo Consultoria em Agronegócios, que apontam a evolução dos preços agrícolas desde o começo do ano. Nacionalmente o item de maior destaque é o arroz, que teve um aumento de cerca de 112% no último ano.
“Podemos constatar claramente que se trata de repasse de custo e não aumento injustificado. É de suma importância que toda a cadeia produtiva esteja engajada no comprometimento em respeitar as normas vigentes, para que não haja prejuízo aos consumidores”, assinam Alessandro Morbeck Teixeira (Asmat) e Kassio Rodrigo Catena (Sincovaga).
Outros pontos também influenciam fortemente o atual cenário. A aceleração no aumento dos preços pode estar relacionada ao aumento da demanda dos produtos, em razão da pandemia, queda nas importações, aumento nas exportações e até a desvalorização do real perante o dólar.
Isso porque essa desvalorização tende a tornar produtos agropecuários mais atraentes para a exportação, o que sobrecarrega a demanda e, em tese, a capacidade de suprir o mercado interno, como explica a economista Milena Magalhães, mestre em política comercial pela Universidade de São Paulo (USP) e professora na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
O aumento nos itens alimentícios é por sua vez, mais acentuado para as pessoas de rendas menores. A desvalorização do real atinge as classes econômicas de formas diferentes. “Famílias da Classe C, com renda total entre R$ 1.892,65 e R$ 8.159,37, e a classe D, com rendimentos inferiores a esses, sofrem um impacto muito maior quando estamos falando em aumento de preços de bens básicos de consumo. Obviamente as classes A e B também consomem bens básicos, mas o impacto desses tipos de bens na renda familiar é bem menor”, avalia Magalhães.


























