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DISPUTA INTERNA

Jayme diz que derrota foi definida por “balcão de negócios” e acusa uso da máquina do Estado

Após União Brasil aprovar apoio a Otaviano Pivetta, senador afirma que convenção foi conduzida de forma “desigual e desonesta,’ critica acordos “na calada da noite” e recebe apoio de correligionários aos gritos de “traíras”.

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(Foto: PNB Online)

Derrotado na convenção estadual do União Brasil que aprovou o apoio à pré-candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso nesta quinta-feira (30.07), o senador Jayme Campos fez um duro discurso contra a condução do processo interno do partido. Em tom emocionado, ele afirmou nunca ter presenciado, ao longo de seus seis mandatos eletivos, uma convenção “conduzida de forma tão draconiana, desigual e desonesta”, e atribuiu o resultado ao que chamou de “rolo compressor” do grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes.

Embora tenha afirmado que respeita a decisão da maioria dos convencionais, Jayme disse que a disputa foi marcada pelo uso da estrutura de poder do Estado e por negociações de bastidores. “Não foi uma eleição transparente. Não foi uma eleição republicana. Ela nada mais foi do que a força do poder do Estado, sendo feitos acordos na calada da noite, buscando as pessoas mais fracas, aquelas que muitas vezes não têm personalidade, não têm dignidade”, declarou.

O senador também afirmou que “tem pessoas que fazem de qualquer mandato ou cargo um instrumento, ou seja, um balcão de negócios”, acrescentando que jamais negociou sua dignidade. Sem citar nomes, afirmou que sua trajetória política sempre foi pautada pela lealdade e pelo respeito aos aliados. “Jayme Campos jamais vende a sua dignidade”, disse.

Leia Também:  Com vaias a Mauro Mendes, União Brasil abre convenção para definir rumo nas eleições

Ao comentar o resultado da votação, o parlamentar afirmou que prevaleceu “o famoso rolo compressor” e também o poder econômico. “Nunca fiz política na base do fórceps, na marra ou empurrado goela abaixo. Faço política respeitando o povo”, afirmou, sob aplausos.

Durante praticamente todo o pronunciamento, Jayme foi interrompido por manifestações dos apoiadores, que chamavam integrantes do grupo vencedor de “traíras”.

Em um dos momentos mais emocionados do pronunciamento, Jayme agradeceu nominalmente ao secretário-geral do União Brasil, Dilmar Dal Bosco, que defendeu sua candidatura durante a convenção, e ao irmão, Júlio Campos. Ao falar da família, também citou o filho Jaiminho, falecido em 2011, e precisou interromper a fala diante da comoção.

Apesar das críticas ao processo, Jayme afirmou que deixa a convenção de cabeça erguida e com a consciência tranquila. “Saio daqui tranquilo, do dever cumprido. Não vou baixar a cabeça para ninguém. Não vou me furtar à luta”, declarou.

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