O líder da extrema direita brasileira, o ex-presidente Jair Bolsonaro, comandou, articulou, fomentou, diariamente, um golpe contra a democracia durante os quatro anos que ocupou a presidência da República. Ele usa duas falácias para tentar afastar a sua responsabilidade direta na tentativa de destruir a democracia:
1 – Reduzir a invasão e a depredação dos prédios dos três poderes em Brasília no dia 8 de janeiro a um movimento espontâneo, sem comando, e que não tinha poder de um golpe. Teria sido um simples protesto de velhinhas e velhinhos desarmados. Mentira de um mentiroso contumaz. A cartilha do golpismo ensina que aquele movimento foi uma tentativa real de criar um clima de desestabilização institucional no país, criar um clima de revolta popular. O ato da extrema direita bolsonarista, em óbvio, não foi o golpe, foi parte do golpe frustrado.
2 – Há provas digitais nas redes dos extremistas, provas de fato, e testemunhos de generais, que Bolsonaro tramou um golpe contra a democracia. O golpe não foi tramado só depois do resultado das urnas, a derrota na eleição de 2022. Foi gestado com denodo durante os quatro anos à frente da presidência da República. A ideia de desprezo à democracia, e desprezo contra os brasileiros fora da bolha bolsonarista, foi propagada por Bolsonaro seguindo a máxima da propaganda política de repetição e orquestração. Não importa a que tempo sugere, seja no passado recente, comunicada há quatro anos ou comunicada ontem, a ideia golpista emerge no presente com a mesmo força simbólica que suscita a ação dos seus seguidores adestrados.
Em artigo publicado pela Revista de Estudos de Comunicação da Universidade da Beira Interior (UBI/Portugal) em 2023, sustentamos assim que a cadeia de eventos entre a campanha de 2018, os quatro anos de governo, a derrota na eleição até a invasão e depredação dos prédios dos poderes em Brasília, está ligada diretamente ao processo de comunicação de propagação de valores feita pelo líder da extrema direita e deve ser vista a partir de um pensamento crítico em duas instâncias que se entrecruzam:
– Conformados pelo mito, os valores do militarismo e religiosidade acionados por Bolsonaro evocam um passado que não cessa de emergir no presente em acordo com a ideia de uma verdade que precisa ser repetida, reverberada e incorporada pelos seus seguidores. A adesão se dá pela crença no conteúdo compartilhado e também pela fé de que as mensagens traduzem uma compreensão inteligente que dá sentido ao mundo.
– Há uma efetiva relação do passado, inclusive o recente, e da emergência presente da propaganda do líder da extrema direita que mobiliza seus seguidores. A potência é cumulativa: o discurso irradia, mobiliza e convoca para a ação. Ou seja, o que Bolsonaro fala na interpelação pública, em qualquer ponto passado da linha do tempo, fica vivo na geração do presente emergente das redes sociais dos seus seguidores.
A quem interessar possa, clique aqui e confira o artigo acadêmico citado. Confira abaixo o ensaio audiovisual científico sobre o mesmo assunto:




















