
Especialistas em geologia, moradores e empresários de Chapada dos Guimarães se reuniram na última quarta-feira (21) para discutir os impactos socioambientais das obras de retaludamento no Portão do Inferno. Durante o encontro, realizado no auditório da Promotoria de Justiça do município, o professor Auberto Siqueira, do departamento de Geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), fez duras críticas ao projeto do governo estadual.
Siqueira classificou o retaludamento — que consiste em cortar a rocha e nivelá-la à estrada — como “a pior opção possível” e alertou que a obra pode comprometer toda a formação rochosa dos paredões de Chapada, causando uma voçoroca que afetaria diretamente o rio Coxipó.
O professor explicou que a geologia do local é extremamente vulnerável, com três linhas de fraqueza estruturais que poderiam entrar em colapso, levando a um efeito dominó e ao desmoronamento do morro acima do Portão do Inferno. Ele também questionou a transparência do governo de Mato Grosso quanto à divulgação de sondagens geotécnicas e ensaios de resistência, necessários para fundamentar a decisão.
“Essas medidas são protocolares, desenvolvidas por normas rigorosas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Nenhuma obra, pública ou privada, pode ser realizada sem essas sondagens e ensaios”, explica.
O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Ibama que esclareça os projetos alternativos apresentados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), já que a licença ambiental foi concedida por meio de um procedimento simplificado.
Embora o governo defenda o retaludamento como a solução definitiva para a segurança da MT-251, Siqueira acredita que as consequências negativas recairão sobre os técnicos que assinaram a licença. Além disso, o professor destacou que a obra ameaça um sítio arqueológico localizado na área.
O mais adequado, de acordo com o professor, seria buscar soluções que minimizem os riscos ao invés de acentuá-los. “Eles deveriam se perguntar se o mal que querem evitar é maior do que o mal que podem criar”. Nesse sentido, ele considera que o retaludamento e o túnel são inviáveis. A melhor solução seria um viaduto. “Não seria necessário isolar Chapada, porque seria possível tocar a obra sem impedir o trânsito. É mais sustentável, seria possivelmente um novo atrativo turístico e o Estado tem recursos financeiros para isso”, concluiu.
























