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SAÚDE PÚBLICA

Presidente do CRM-MT critica portaria de Cuiabá sobre UBSs e alerta para riscos

Diogo Leite Sampaio alertou que a medida pode comprometer a eficácia do sistema de saúde e gerar sérios problemas de gestão e financiamento.

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(Foto: Assessoria)

O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Diogo Leite Sampaio, manifestou fortes críticas nesta sexta-feira (10.01) à portaria da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá que autoriza o atendimento de qualquer usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital, independentemente de endereço ou agendamento prévio. Ele alertou que a medida pode comprometer a eficácia do sistema de saúde e gerar sérios problemas de gestão e financiamento.

Em entrevista ao Jornal do Meio-Dia, Sampaio enfatizou que o modelo vigente no SUS, baseado nos princípios de territorialidade e regionalização, é essencial para o bom funcionamento da atenção primária. Segundo ele, permitir o atendimento de pacientes fora da área de cobertura de cada UBS contraria as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde e pode resultar na suspensão de repasses de recursos. “O sistema foi desenhado para que cada unidade acompanhe regularmente a saúde das famílias de sua região”, explicou.

O presidente detalhou que o foco da atenção primária é a prevenção e o monitoramento contínuo, diferentemente do atendimento de urgência e emergência, que ocorre em unidades secundárias e terciárias. Conforme explicou o médico, as UBSs são como consultórios médicos voltados para o acompanhamento regular. “Elas não têm estrutura para procedimentos de emergência, como intubação ou administração de medicamentos intravenosos, que são atribuições de unidades especializadas”, afirmou.

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Sampaio também destacou os riscos financeiros que a portaria pode acarretar. Portarias federais regulam os critérios para o financiamento da atenção primária, e descumprir as regras de territorialidade pode levar à perda de recursos. “Uma portaria do ano passado do Ministério da Saúde especifica que o não cumprimento dessas normas pode resultar na suspensão de pagamentos”.

Além disso, o presidente apontou que a superlotação nas UPAs e hospitais é consequência direta de falhas no sistema de atenção primária. “Quando a atenção básica não funciona adequadamente, os pacientes acabam recorrendo às UPAs para casos que deveriam ser resolvidos nas UBSs. Isso sobrecarrega o sistema e eleva os custos desnecessariamente.” 

Ele citou exemplos de pacientes que aguardam anos por exames como ressonância magnética e que, sem solução, buscam repetidamente atendimento emergencial, agravando o caos nas unidades.

Sugestões para melhorias

Questionado sobre possíveis soluções, Sampaio sugeriu um foco maior na estruturação das equipes de saúde da família e na adequação das UPAs para atender exclusivamente casos de média e alta complexidade. Ele também pediu maior investimento na atenção primária e ressaltou que mais de 70% das doenças podem ser prevenidas com cuidados adequados nesse nível de atendimento.

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“Precisamos reorganizar o sistema e resolver os problemas financeiros que hoje impedem o seu funcionamento. Médicos não podem ficar meses sem receber, e muitas unidades enfrentam falta de materiais básicos e medicamentos. Enquanto essas questões persistirem, o caos continuará”, afirmou.

Sampaio defendeu uma gestão integrada e eficiente, com cooperação entre os governos municipal, estadual e federal. Ele reconheceu a complexidade do problema, mas reiterou que boa gestão e combate à corrupção são fundamentais para reverter a crise. “O SUS é um sistema robusto e bem planejado. O que falta é gestão efetiva e recursos aplicados corretamente para que os profissionais possam trabalhar com dignidade e os pacientes tenham o atendimento que merecem.”

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