A CPI do Estacionamento Rotativo, criada pela Câmara de Cuiabá para investigar o contrato da empresa CS Mobi com a Prefeitura de Cuiabá para realizar o serviço de estacionamento pago, acabou se tornando palanque do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), que utilizou do espaço para questionar vereadores da base aliada do prefeito Abilio Brunini (PL).
Emanuel prestou depoimento na CPI nesta segunda-feira (07/07), momento em que respondeu às perguntas dos vereadores. Questionado pelo vereador Ilde Taques (PSB) sobre a cobrança dos estacionamentos em Cuiabá, Emanuel fez críticas diretas à necessidade de abertura da investigação parlamentar.
“Injusto demais é não cobrar, é uma PPP, se o município tem recurso, faça”, declarou Pinheiro. “Como acha que o Estado vai fazer com o Hospital Central? Estamos falando de uma PPP. Falaram aqui que não é responsabilidade por roubo e por nada. O shopping center é? Por que essa Câmara não reage aos shoppings centers da cidade, que cobram R$ 7 ou R$ 10? Aqui será R$ 1 ou R$ 3 a hora”, comentou Emanuel.
O ex-prefeito defendeu a contratação que enfrenta críticas do atual gestor, Abilio Brunini (PL), que foi um dos incentivadores da abertura de CPI no legislativo.
Em 30 anos, a Prefeitura de Cuiabá vai desembolsar para a PPP do estacionamento rotativo, R$ 650 milhões. Segundo vereadores de oposição, como o líder do prefeito Abilio, Dilemário Alencar, Emanuel escondeu os valores pactuados no contrato, que vão sofrer uma série de correções ao longo dos anos, aumentando constantemente o valor da contratação.
Pinheiro foi interrogado pela vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) sobre a contratação de 30 anos e sobre a multa de R$ 135 milhões caso o contrato não seja efetivado. “Essa é uma das maiores obras dos últimos tempos de Cuiabá, a única ação feita efetivamente para salvar o centro histórico, para devolver o centro histórico à cuiabania”, declarou o ex-prefeito. “Corrija o contrato se for preciso, converse, resolva, por que isso não é coisa do Emanuel, é um patrimônio público. Acho que é um prejuízo imensurável para Cuiabá [não concluir o contrato]”, concluiu.
O vereador Daniel Monteiro (PSB) perguntou a Emanuel Pinheiro porque a Prefeitura não fez um contrato de concessão sem ter que desembolsar valores para a empresa. Além disso, questionou qual a razão da Prefeitura não realizar um empréstimo para fazer o estacionamento rotativo.
“Uma cidade que se expande como Cuiabá não teria modalidade melhor. Desconheço cidade que realizou empréstimo para isso”, declarou. “O primeiro interesse era de investimento direto [da concessionária], eu tentei até, mas e aí, como vai receber em 3o anos? Vai ter que cobrar uma tarifa. Hoje eu tiro da fonte 500, é o povo cuiabano que vai pagar? Claro que é, mas vai pagar por aquilo que é bom, que devolve o centro histórico para a cidade”, afirmou Pinheiro.























