Os deputados estaduais de Mato Grosso comentaram, nesta quarta-feira (19.02), a denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Representantes da extrema-direita classificaram a ação como perseguição, enquanto integrantes da esquerda consideraram o caso “um fato gravíssimo”.
Um dos críticos da denúncia foi o deputado estadual Gilberto Cattani (PL), integrante do movimento bolsonarista de extrema-direita. Ele afirmou que a ação não se trata de um equívoco, mas sim de perseguição ao ex-presidente.
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“É uma perseguição barata e bem vergonhosa até. […] Tenho dito que existe uma grande perseguição contra o presidente Bolsonaro, principalmente por parte do ministro Alexandre de Moraes. O que vai acontecer, ninguém sabe. Eu não sei dizer para você o que vai acontecer no futuro”, declarou Cattani.
Já o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) destacou que a denúncia apresenta fatos graves e deve contribuir para a consolidação das instituições democráticas.
“Primeiro, é importante separar esse debate do debate eleitoral, porque se trata de um fato gravíssimo, uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, fartamente documentada pela Polícia Federal. […] Isso é essencial para o nosso país, pois precisamos fortalecer nossas instituições democráticas. Essa denúncia tem potencial para contribuir nesse sentido, para que outros aventureiros desorientados não tentem, mais uma vez, desrespeitar o Estado de Direito e a democracia”, afirmou Cabral.
O deputado estadual Júlio Campos (União) também foi questionado sobre o assunto. Ele criticou a denúncia contra o ex-presidente e defendeu uma mobilização nacional pela anistia das pessoas condenadas pelos atentados de 8 de janeiro, em Brasília. Para o parlamentar, é necessário rever as penas aplicadas pelo STF.
“Eu até vou sugerir que as Assembleias Legislativas dos estados iniciem uma mobilização nacional pela anistia, porque as penas foram muito pesadas. Muitas pessoas inocentes estavam lá apenas para um protesto normal, democrático, e acabaram presas. Agora, recebem penas de 17 anos de prisão. Isso não é justo. O Supremo Tribunal Federal precisa rever essa dosimetria. Estão punindo pessoas inocentes como se fossem bandidos, assaltantes ou até condenados por latrocínio”, argumentou Júlio Campos.
Denúncia da PGR
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, detalhou a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos outros 33 acusados na denúncia do inquérito do golpe, enviada nesta terça-feira (18) ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento, Gonet afirma que o grupo criminoso agiu com violência e grave ameaça para impedir o funcionamento dos Poderes da República e tentar depor o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a acusação, Bolsonaro contou com o auxílio de aliados, assessores e generais para “deflagrar o plano criminoso”, que teria ocorrido por meio da disseminação de desinformação contra as urnas eletrônicas, afronta às decisões do STF e incentivo ao plano golpista, entre outras ações.
























