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Ser ou não ser?

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O babado da semana passada foi a possibilidade (não diria impossível, porque o futebol é “uma caixinha de surpresa”) de a seleção brasileira de futebol ter uma camisa reserva com nova cor. Talvez a notícia se resumisse a uma “tripinha” ou rodapé de página, caso a escolhida não fosse a vermelha. E, como se sabe, muitos associam-na ao pecado, ao diabo e… aos comunistas. Aqueles a quem a crendice, induzida, taxa de ateus, comedores de criancinhas e sempre à espreita para minar os valores da família, da pátria e da propriedade.

Representantes da direita rapidamente se opuseram, com o argumento de sempre “Essa tentativa não passa de mais uma investida para desfigurar aquilo que nos faz brasileiros de verdade. A nossa bandeira não é vermelha e nunca será”, reverberou um dos filhos do ex-presidente, enquanto uma ex-aliada, agora “abandonada”, segundo ela, perguntou “por que a CBF não coloca logo uma estrela do PT na camisa vermelha?”.

Parece que o próprio PT não embarcou na onda do Footy Headlines (Manchetes do Futebol), site inglês divulgador da possível novidade. Ministros e parlamentares sondaram a CBF sobre tal camisa, que negou a notícia, mas, parece, sem muito interesse na mudança de cor. Estão mais de olho na atual situação da seleção. “A essa altura, temos preocupações bem maiores, como, por exemplo, garantir uma boa classificação para a Copa do Mundo de 2026”, lembra o líder do governo no Congresso.

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Por enquanto, o time está na zona de classificação. Mas restam 12 pontos a serem disputados em quatro rodadas e o Brasil está apenas sete pontos à frente da Venezuela. Se bobear, como vem acontecendo, pode ficar na repescagem. O histórico não anda muito bom. Em 14 partidas, foram seis vitórias, três empates e cinco derrotas. Aproveitamento de 50%, como diriam os comentaristas. O próximo técnico (o terceiro em três anos, após Fernando Diniz e Dorival Junior), cujo nome ainda é uma incógnita, já que Carlo Ancelotti mais uma vez disse não, vai ter muito trabalho. Mas, “Deus é brasileiro e não desistimos nunca”.

O site Brasil de Fato aventou a possibilidade de a fabricante, ao escolher o vermelho, apostar na polarização entre esquerda e direita nas eleições de 2026, já que o lançamento estaria previsto para março. Faz sentido. Em 2022, Lula teve 59 milhões e meio de votos e Bolsonaro, 57 milhões e seiscentos mil. Se apenas 5% dos eleitores de ambos comprassem a camisa, seriam quase seis milhões de peças. A um preço médio de R$ 300 por unidade, o faturamento seria de R$ 1,8 bilhão. Bagatela nada desprezível, mesmo comparada aos R$ 6,3 bilhões, conforme o noticiado, surrupiados dos aposentados do INSS.

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Talvez a camisa da seleção brasileira nunca seja vermelha, mas já foi um dia. Na verdade, em três ocasiões. Duas em 1917, contra o Chile e Uruguai, quando ambos usavam camisas brancas, e em 1938, contra a Polônia. Portanto…

Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista

* A opinião do articulista não reflete necessariamente a opinião do PNB Online

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