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ARTIGO

Por que Cuiabá se tornou uma cidade para “Farmar Aura”?

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Outro dia, fui convidado para ser repórter-anfitrião por uma grande emissora de televisão para uma matéria nacional. Eu senti orgulho em poder falar da minha cidade e suas redondezas. Começamos por Chapada, Bonsucesso e tudo ia bem. Até que o produtor da matéria disse: “e Cuiabá? Onde podemos fazer umas imagens bonitas da cidade”. Caiu a ficha. Não tem. Subimos o morro da Igreja de São Benedito, mas eu havia esquecido que o Largo do Rosário virou um matagal e o abrigo de moradores em situação de rua. Sugeri que fôssemos para a Orla do Porto que, na minha memória, daria boas imagens. Chegando lá, percebi que o cenário parecia pós-apocalíptico.

O semblante de decepção da equipe de televisão era proporcional ao meu constrangimento. Contudo, segui a minha Odisseia para encontrar algum lugar “instagramável” na cidade. Paramos no Sesc Arsenal, que apesar de ser um espaço pasteurizado, rendeu algumas boas imagens. Só.

Estamos há 15 anos, ou mais, convivendo com obras inacabadas, desvios de rotas e paisagens destruídas. A geração do “farmar aura” já nasceu em meio a esse caos.

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A falta de diversão cultural na cidade, a ausência de espaços de convívio e o próprio abandono desses lugares têm feito com que a população, em especial os jovens, procurem meios alternativos para se divertir.

É próprio da juventude buscar diversão. E ainda bem. “Farmar aura”, essa mistura de dança com movimentos marciais, por mais estranho que possa parecer, é uma brincadeira. Uma linguagem lúdica. Um jogo cênico. E eu não vou cometer aqui a arrogância de dizer que as diversões de outrora eram mais interessantes. Isso é típico de quem envelheceu amargo.

Huizinga, filósofo que escreveu “Homo ludens”, destaca que somos seres lúdicos e que precisamos ser para nos reconhecer enquanto seres humanos. Brincar de “faz-de-conta” é, muitas vezes, a única alternativa que nos resta. E isso, até quem é hétero deveria entender.

Eduardo Butakka é ator, humorista, professor e outras coisas degradantes.

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